Alguns posts na vida são difíceis de serem escritos. Às vezes a gente senta para escrever e as palavras não vem, me fogem. Isso tem acontecido com uma frequência e intensidade inimaginável pra mim. É como se eu tivesse pensamentos demais e não conseguisse distingui-los uns dos outros. Em meio à procrastinação e a derrota pela dificuldade eu acabava por adormecer e deixar para depois.. sempre depois.

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

(fonte)(fonte)

Mas não foi isso que aconteceu quando digitei o título desse post nos meus rascunhos. Tudo porque quando paro e penso nos motivos para ter um blog, nos meus motivos para blogar, tenho uma certeza absurda do óbvio: eu tenho um blog porque eu amo escrever. É clichê, mas a palavra escrita é minha válvula de escape.
Para alguém que tem dificuldades com interação social, é um alívio poder digitar, ler, apagar, revisar, editar e analisar as palavras inúmeras vezes antes delas serem de fato ditas. A palavra falada é difícil. Não tem volta. não tem ctrl+z que desfaça uma ofensa proferida ou um gracejo mal-entendido.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Não que a palavra escrita seja fácil. Ela não é. Mas eu preciso escrever para limpar minha mente. Engraçado. É quase um paradoxo dizer que nem sempre eu consigo escrever quando minha mente está cheia mas que eu preciso escrever para poder esvaziá-la. Mas é nessa antítese que me acho.
E é nesse meio em que o blog então me funciona como uma penseira: é nele em que eu deposito meus pensamentos e minha lembranças mais profundas. Não como um arquivo morto que fica esquecido e só é resgatado para ser destruído, mas como uma caixa de sapato cheia de recortes, cartas, fotos e bilhetes que é aberta sempre que se quer trazer memórias de volta à superfície.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Eu gosto de reler o que escrevo. Eu gosto de ver como me permito ter opiniões diferentes depois de alguns anos de vivência ou como me permito ter exatamente o mesmo ponto de vista mesmo depois de olhar as mais diversas perspectivas.

Quando alguém se identifica com o que escrevo, as borboletas fazem festa no meu estômago. Quando algo que postei ajuda de alguma forma alguém a se enxergar diferente, eu me realizo. Porque no final dos contas eu escrevo pra mim mesma, mas quando os outros leem… ah, quando os outros leem! <3

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.

Escrevo porque é isso que sei fazer. Publico porque é assim que tenho voz. E um dia quando eu meu calar, as palavras escritas permanecerão eternas e estarão lá para me representar.
Porque quando tudo acabar, a palavra terá sido sempre o começo (e o fim).

Um beijo e obrigada por lerem meu canto…

Longe de mim me achar a Cecilia Meireles, mas não consegui ler esse post da Kah(minha inspiração para este que vocês acabaram de ler) e não responder com “eu ‘escrevo’ porque o instante existe”, por isso trouxe esse poema maravilhoso dela no meio do meu texto.

Aliás, depois de um longo hiato, nossa diva fotógrafa está de volta, prestigiem o Coffee, Rock and Beer, por favor <3

 

P.S.: Ó, não é desculpa mas revirei a internet e não achei o site original da foto então linkei o blog de onde a salvei mas, ó, se souberem, me avisem, por favor.

(ou: como fazer uma fanfic da fanfic ser tão – ou mais – incrível do que a história original)

Aviso: esse post é gigante, ok?

Quando recebi da Editora Novo Século o convite para ler Carry On em primeira mão, eu aceitei de cara porque, né, adoro essas ~exclusividades~ bloguísticas, ainda mais se tratando dessa autora amorzinho demais <3 Até então eu já havia lido Anexos (meu preferido!) e Eleanor & Park, da mesma autora – incrível – Rainbow Rowell (além do conto maravilhoso “Meias Noites”, da coletânea O Presente do Meu Grande Amor – Doze histórias de Natal), então já imaginava o que esperar da escrita.
Uma das cosas que mais gosto na autora é que os personagens dela são factíveis. Os diálogos são facilmente imagináveis (como quando percebemos o quanto a Eleanor gosta de começar ou encerrar frases com “gente!”) e as personalidades de cada uma na história são totalmente vida real (como a Cath de Fangirl, que é a nerd-não-estereotipada: adora leitura, prefere ficar sozinha escrevendo do que interagindo mas não é uma sociopata antissocial como alguns livros e seriados retratam o mundo geek). Fiquei pensando em como ela se sairia escrevendo fantasia… e tive uma maravilhosa surpresa!

Carry On, da Rainbow Rowell

Você precisa saber que os protagonistas de Carry On aparecem em Fangirl, então o primeiro seria meio que um spin-off¹ do segundo. Bom, nas palavras da própria Rainbow (que nome incrível, minha gente! será que os pais dela eram hippies?):

“Se você leu meu livro Fangirl, sabe que Simon Snow começou como um personagem fictício daquela história. Um personagem fictício-fictício. Meio que um amálgama e descendente de centenas de outros Escolhidos fictícios. Em Fangirl, Simon é o herói de uma série de livros infantis de aventura escritos por Gemma T. Leslie – e objeto de muitas fanfictions escritas pela personagem principal, Cath.
(…) É disso que se trata Carry On. Minha visão de um personagem que eu não conseguia tirar da cabeça. É a minha visão desse tipo de personagem, e desse tipo de jornada. Foi um modo de conceder a Simon e Baz, apenas semi-imaginados em Fangirl, a história que eu sentia que devia a eles.”

Foi então que eu soube que precisava ler Fangirl. Ok (li. adorei. e, omg, Levi <3). Não que seja estritamente obrigatório, mas eu não tivesse lido a história que deu origem à fanfic da fanfic (LOL), eu não teria me familiarizado tão facilmente com o Mundo Mágico, entende?

Mas, enfim, falemos de Carry On (aliás, que mágico quando descobri de onde vem o título do livro – que eu não vou estragar pra vocês). A história não é tão ~nova~ assim. Aliás, não é nova at all
Tem como pano de fundo Watford, uma escola de magia na Inglaterra, na qual o diretor é conhecido como Mago (que se veste tipo o Peter Pan, sabe-se lá por quê). A escola obviamente é encantada e não permite que os Normais (seres sem magia aka trouxas) adentrem seu terreno.
É lá que Simon Snow, bruxo órfão que nunca chegou a conhecer seus pais, divide o quarto com Basilton Pitch (o nosso Baz), um vampiro adolescente, filho da antiga diretora da escola, que foi morta quando ele ainda era uma criança. As intrigas entre os dois são constantes, afinal, Baz está o tempo todo provocando Snow e tramando alguma contra o menino.
Simon é o bom moço e Baz é o malvado… será que é por isso que Agatha está dividida entre o namorado e o inimigo vampiresco dele? (Salvatore feelings, gente)

“Eu quero ser o agora mesmo de alguém, Simon, não o felizes para sempre. Não quero ser o prêmio no final. Aquilo que você conquista se derrotar todos os chefões.”
— achei essa frase da Agatha sensacional!

Além triângulo amoroso (que é uma surpresa deliciosa), temos Penny, melhor amiga de Simon, que foge sempre pro quarto dos meninos quando sua roomie meio-fada está recebendo sua namorada pra passar a noite e deixando o quarto cheio de pó de pirlimpimpim (gente, as referências e piadas são demais, leiam, por favor!). Ela é a única garota a conseguir entrar no dormitório masculino (adorei quando descobri a explicação!), melhor aluna da classe (oi, Hermione!) e dona de uma magia poderosíssima e de uma família cheia de gente (oi, Ronny!). Minha personagem preferida fácil, fácil. Totalmente girl power.
Quando voltam das férias, QUEDÊ BAZ? Simon fica obcecado tentando descobrir o que o vampiro adolescente está tramando pois a essa altura já estariam na sua 263a encrenca do ano…

Vamos então acompanhando o desenrolar da história enquanto Snow tenta descobrir o que está havendo com Baz, além de lidar com seus sentimentos dúbios em relação à Agatha e até mesmo ao Mago. E em meio a uma trégua quase forçada é que toda a magia da história acontece… (e encanta!)

20160628_collagecarryon

O livro todo é narrado em primeira pessoa e temos a oportunidade de enxergar os diversos pontos de vista pois cada capítulo é narrado por um personagem, com seu nome anunciado logo no título. Isso foi me deixando TENSA porque tinha um personagem em específico com uns capítulos misteriosos e intrigantes mas esse personagem simplesmente ainda NÃO TINHA APARECIDO NO LIVRO. E quando descobri quem era fiquei: :O

Qualquer pensamento de que o enredo é um Harry Potter meets Twilight/Vampire Diaries não é mera coincidência. Mas não se engane: isso não é ruim! É como se a Rainbow fizesse piada do fato de estar escrevendo quase que uma releitura de clássicos teensÉ sensacional o modo como ela brinca com esses temas clichês, discutindo no livro se o Baz pode ser visto no espelho ou tem que ser convidado para entrar em algum recinto, ri bastante com as constatações.

Outro show à parte são os feitiços. Eles são originados por expressões que os Normais usam. Quanto mais os Normais as usarem, mais forte a magia é. Pode ser cantigas infantis (“sabiá lá na gaiola fez um buraquinho, voou, voou, voou, voou”), ditados, expressões e memes (“corra para as montanhas”) ou músicas (“pau que nasce torto nunca se endireita” e “vai sacudir, vai abalar”).
E é aqui que quero deixar meus parabéns à equipe que traduziu o livro. Não é fácil você trocar trechos de música ou ditados populares em inglês por versões que façam sentido em português. Quanto eu mais lia, mais eu ficava feliz pela tradução (e com mais vontade de reler o livro em inglês pra saber quais as expressões usadas no original). Aliás, para algumas expressões não traduzidas, existem notas de rodapé explicando direitinho. Adoro!

"Simon Snow está vivo e eu estou desesperadamente apaixonado por ele"

“Simon Snow está vivo e eu estou desesperadamente apaixonado por ele”

Além de ser um livro que conta a aventura dos ~xóvens~ bruxinhos, tem romance dos bons. As cenas entre o casal principal são fantásticas desde a tensão sexual, afinal, Baz é todo fogo e Simon é todo lábios. Se você leu Fangirl, sabe do que estou falando (aliás, para este ponto em específico, acho importante ter lido Fangirl, porque só assim você já vai construindo o romance na sua cabeça. Não sei se quem não conhece a história vai sacar de imediato as nuances e as entrelinhas entre eles).

“Simon Snow, não houve um dia em que eu acreditasse que fôssemos sobreviver àquilo. (…) À vida. Você era o sol e eu estava em reta de colisão com você. Acordava todas as manhãs e pensava: “isso vai acabar em chamas”

Livro delicioso de ser lido, pra romance nenhum botar defeito (aliás, a sexualidade dos protagonistas é meramente um detalhe, gosto muito quando os autores se preocupam em tratar a orientação dos persnagens de forma natural, sem fazer escarcéu por isso). Não costumo ler muito rápido, mas devorei as quase 450 páginas em uma semana. Com certeza é um livro que indico pra quem curte um YA delicinha (que passa no teste de Bechdel² – e inclusive faz piada disso).
Não é uma história que mudou a minha vida ou me fez pensar sobre a minha existência, mas me divertiu muito e me entreteve por horas a fio!

 

20160628_capacarryon

Carry On
 (5/5)

Rainbow Rowell
Editora Novo Século
2016
480 páginas
ISBN: 978-8542808247

Quem mais leu ou se interessou, hein?

Estou em ressaca literária desde que terminei ele, alguma sugestão do que devo ler em seguida?

Um beijo!

¹ spin-off: são histórias que se originaram de outras histórias. Na maioria das vezes, é um personagem em especial que ganha uma história só pra ele, e esta é chamada de Spin-Off (tipo The Originals é o spin-off de The Vampire Diaries). Explicação daqui: 10 palavras que todo fã de séries precisa saber o significado. Aliás, vale a leitura 😉

² teste de Bechdel: pergunta/questiona se uma obra de ficção possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem. Algumas vezes se adiciona a condição de que as duas mulheres tenham nomes. Leia mais aqui.

O livro foi enviado para resenha pela editora mas minhas opiniões são sinceras, viu?

Abril foi um mês mucho loco. Entrei pra faculdade. Ganhei promoção da Rádio Rock pra ir pra baladjênha e castrei a Nina. Além disso, tive uns ~probleminhas de saúde~ e estou fazendo trocentos exames (um inclusive envolvia ficar com o holter preso em mim durante um dia inteiro com um calor dos infernos). Ainda não se sabe se meu problema é no coração ou na tireóide mas vamos seguindo investigando, né?
Ufa.
E Maio passou voando. Tão rápido que nem vi chegar e vi menos ainda ele ir embora… e já estamos no meio Junho, esse mês cheio de delícias e com um friozinho maravilhoso!

Como não dei conta de postar em Abril, fiz um catadão dos dois meses, tá valendo, né? :)

Por aqui…

Super recomendo que vocês leiam o post da Patthy no Imaginalinda, da Taty no Enfim Beleza e da Luh no Miniatura de Perfume pra ver todos os pontos de vista sobre essa incrível jornada.

Por aí…

Já comentei algumas vezes que tenho sentido necessidade de diminuir o meu consumo e as minhas “posses” por assim dizer. Quando li esse texto simples e curto da Thais Godinho sobre algumas dicas para simplificar a vida, vi que transmite bem o que penso e anseio pra mim.

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Vi essa postagem no blog da Thay (kibei mesmo), e ri muito lendo: vamos falar sobre casamento. A Ju, minha melhor amiga ~mais antiga~, vai casar agora em julho e estou tendo oportunidade de vivenciar boa parte desses dramas com ela. Por favor, leiam o post super bem humorado da Isadora, cêis merecem rir um pouco!

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A Luh já tinha me falado algumas vezes sobre a Tati Feltrin, mas foi só vendo esse vídeo que eu realmente dei bola pra ela. Achei os comentários dela muito pertinentes no que diz respeito ao mercado editorial. Nunca tinha parado pra pensar nos livros vendidos mais barato nas bancas, por exemplo. Mas vão lá, assistam mesmo.

 

Adoro que o 360 Meridianos está longe de ser ~só~ mais um blog sobre viagens. Você já parou pra pensar nas consequências dos algoritmos que definem o que você vê na timeline de suas mídias sociais tem pra sua vida? Ok, você deixa de ver opiniões cm as quais não concorda mas em contrapartida acaba vivendo em uma bolha sem nem saber que existe um outro ponto de vista para determinado assunto.

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Como não canso de repetir, o Coisas de Diva é meu blog de ~mulherzices~ preferido da vida e cada vez tenho gostado mais das reflexões propostas. Já tinha sacado há algum tempo que a Thais estava solteira e nesse post ela resolveu compartilhar dicas de como superar o fim de um relacionamento. Acho esse tipo de post extremamente válido! Ainda mais com os comentários abertos e uma leitora ajudando outra 😉

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Tocaí

Ouvi muuuita coisa boa esse meses porque resolvi consultar meu Shazam e baixar as músicas que reconheci com o app no últimos, sei lá, 2 anos. Dentre elas, estava “18 and a Life” do Skid Row. Essa sou eu, viciada em rock dos anos 80.

Aliás, talvez vocês conheçam outra música da mesma banda, “I Remember You”, que também adoro!

Aliás², consegui comprar de boinha os ingressos pro show de 50 anos do Scorpions em São Paulo, dia 03 de setembro. Nem acredito! Meus pais adoram a banda e vou conseguir levá-los pra assistir de perto*, fiquei tão feliz!

*nem tão de perto assim, pois vamos ficar na platéia superior 2. Repito: não tenho mais idade pra pista (e meus pais menos ainda) 😛

Leituras do mês

“Resposta Certa”, David Nicholls ★★★☆☆ (abril) – não tem jeito, cheguei à conclusão de que nenhuma obra do David vai conseguir superar “Nós” pra mim. Não que eu não tenha gostado desse, mas não achei nada OMG. COnta a história de um jovem inglês saindo de casa pra ir pra faculdade e tudo que ele enfrenta por lá. É bacaninha, mas não é essencial, não, viu.

“Depois a Louca Sou Eu”, Tati Bernardi ★★★★☆ (abril) – meu Deus, sou eu escrevendo? rs Fora o fato de que não tomo tarja preta, a Tati sou eu. Aliás, admiro o trabalho dela há muito tempo, desde que eu era uma jovenzinha anos procurando textos de como superar uma paixão não correspondida. As crônicas dela muitas vezes são confusas, como nossos pensamentos mesmo (sabe quando pulamos de um assunto pra outro na nossa cabeça? então, tipo assim), mas é uma DELÍCIA de ler. O livro é curtinho e recomendo demais.

“A Coroa”, Kiera Cass ★★★☆☆ ♥ (maio) – tá, eu sei que todo mundo odiou esse livro. Estranho também eu dar nota 3/5 e colocar um coraçãozinho, né? rs Mas, gente, não sei lidar com o tanto que gosto dessa série. A Eadlyn é insuportável? É, claro que é. Mas eu também já tive 18 anos e aposto que era muito pior, viu? Sem grandes spoilers, tenho a dizer que amei a escolha final (e posso gritar a plenos pulmões que “eu já sabia” porque até twitei sobre isso). Vejo problemas inúmeros na narrativa da Kiera. Vejo problemáticas muito mal aproveitadas. Vejo um desfecho corrido. Mas quando eu vejo o final, ó, só amor <3

“Nunca Jamais”, Colleen Hoover e Tarryn Fisher  ★★★★☆ (maio) – recebi esse livro da Galera Record e comecei a ler de imediato porque é super curtinho mas me enrolei com alguns trabalhos da faculdade e só fui terminá-lo ontem. É um livro de suspense com uma boa pitada de romance (aliás, ótimas cenas sexy-sem-ser-vulgar nele). Acabou DAQUELE JEITO e me deixou doida por uma continuação… e olha que eu não esperava nadica da história! Mas me prendeu muito!

Espero aos poucos conseguir voltar o ritmo normal do BeLivs porque me faz falta, viu? <3

Um beijo!