Diário

Começo, meio e fim

Comecei o dia de hoje ouvindo Bon Iver. Lembro até hoje que descobri as músicas calmas e relaxantes deles em uma playlist chamada “Relaxando com Indie Folk” que era a minha salvação para os dias mais estressantes. Acordei e liguei o notebook para ouvir algo. Fiz meu café, limpei a caixinha das gatas, troquei água e dei comida para elas enquanto meu pão de coco esquentava na frigideira. Curti a chuva, mesmo chateada por não conseguir ter secado as roupas lavadas já há dois dias. Cozinhei logo cedo para adiantar o almoço, porque não tem jeito: essa é a minha paixão. Li. Vi um seriado. Brinquei com as gatas. Assisti vídeos sobre finanças. Descansei.

Quinta-feira passada (12/01) meu chefe me chamou assim que chegou na empresa. Me falou que não precisava levar o notebook e se fechou comigo em uma sala com a mão cheia de papéis. Entendi rapidamente que ele estava me demitindo. Nossa relação já não estava bem há algum tempo e só piorou depois de alguns feedbacks que trocamos no final do ano (super cordiais e educados, eu garanto de verdade!). Ele me disse que só tinha ficado sabendo da minha demissão no dia anterior, que a ordem veio da diretoria e que não era por desempenho mas sim por redução de custos, crise, etecétera. Se quer saber, não acredito em uma vírgula do que me foi dito (e já tive provas de que estou certa) e minha auto-estima profissional é extremamente grande, sei o quanto fiz um trabalho excepcional e o quanto vou fazer falta. Boa parte do que me foi falado foi fruto da inexperiência do gestor.

Sheldon jogando papéis para o alto

Cada vez que me pediam para arquivar ou localizar um relatório de ensaio, era essa a minha vontade, #fikdik

Minha história na empresa é até bonitinha de se saber. Entrei como assistente do escritório de Controle da Qualidade mas um dia uma pessoa incrível (que é, inclusive, o melhor chefe que já tive na vida) viu que eu tinha “a manha” para a Gestão da Qualidade e me promoveu. Assim foi indo até o meu cargo de Analista.
No início eu amava demais o que eu fazia mas uma série de situações (principalmente o fato de ter trocado muito de gestor e ter ficado quase 6 meses sem nenhum responsável na Qualidade) fez com que a minha motivação e vontade de crescer fosse se esvaindo, principalmente de 2015 para cá (que foi quando uma outra pessoa muito querida foi demitida injustamente na semana seguinte depois de ter conduzido uma auditoria ferrada e ter se saído incrivelmente bem).
Até que deu no que deu, não é? De funcionária modelo, passei a ser aquela que era deixada de canto e “não fazia nada direito”.

Eu tinha muito certo comigo mesma que quando minha saída da empresa acontecesse, eu iria embora de mansinho, pela porta dos fundos, sem me despedir de ninguém. Mas eu trabalhei lá por seis anos, poxa! O coração amoleceu e me despedi de um por um, o quanto foi possível. Ouvi coisas incríveis que eu não imaginava de verdade que as pessoas pensavam de mim. Saí de cabeça erguida e com uma certeza gigante de que lá não era mais o meu lugar.

E desde então eu não tenho mais pesadelos. Não me sinto carregada, com vontade de morrer. Primeira vez em, sei lá, uns dois anos. Parece que tiraram com a mão, sabe?

Mas bem como a Ju já tinha me adiantado, nem tudo são flores, devo lhe dizer. Existe a preocupação com dinheiro. Muita preocupação com dinheiro. Mil e uma continhas colocadas em vários caderninhos. O alívio de morar com meus pais, ter acabado de pagar o Livsmóvel e não ter conta nenhuma.

Caderninhos de organização

Os caderninhos todos. Uma Pergunta por Dia que ganhei da Ju, o da Mulher Maravilha que me acompanha em viagens e serve pra todo tipo de anotação de ideias a gastos, a agenda semanal pink que trouxe de Montevideo e a cadernetinha das finanças e investimentos, além de um bloco em que fiz as contas todas do quanto preciso para viver por um ano.

Há muito tempo eu queria sair do emprego (afinal, estou cursando uma graduação nada a ver com o meu antigo cargo), mas estava apenas começando a me organizar financeiramente para pedir a conta. A vantagem disso tudo é que não precisei me armar dessa coragem e vou receber meus direitos todinhos.
Tudo o que era só rascunho está começando a brotar como plano de verdade, factível. As ideias estão a mil (e o medo de fracassar também). A questão toda é que sempre me defendi do pavor de não dar certo apenas não tentando, não fazendo algo diferente. Mas agora, ah, agora não tenho mais a desculpa do tempo. Não me falta mais tempo: hoje ele me sobra. E tudo que sobra vai pro lixo, não é mesmo? Então bora lá fazer essa nova fase da minha vida render muito e ir atrás dos meus sonhos!

Um beijo! (e obrigada pelos tweets carinhosos que recebi)

Closing Time (Semisonic)

Em tradução livre: “todo novo começo nasce do fim de algum outro começo”. É um trecho da música “Closing Time”, do Semisonic. Talvez você a conheça do filme Amizade Colorida ;)

P.S.¹: Não estou dizendo que é incrível estar desempregada (inclusive, primeira vez na vida que fico sem emprego). Mas como a Kah comentou no post “parabéns pela demissão”, é assustador “entrar” o ano assim, sem ter muita certeza do que vai ser mas estou curiosa para saber o que mais esse aprendizado vai revelar para mim <3

P.S.²: se um dia eu for escritora, minha estilística será conhecida pelo uso de enumeração nos textos porque, olha, amo mesmo, do fundo do coração.

Diário

Desafio 52 semanas #02: Eu nunca…

Dando continuidade ao maravilhoso desafio que provavelmente é o único post que manterá meu blog atualizado XD

O objetivo essa semana era falar de “nuncas” e, meu Deus do céu, como foi difícil! Fico imaginando a Carô que fez o projeto de 366 nuncas em 2012 (gente, jurava que tinha sido há pouquíssimo tempo!). O bacana no caso dela é que deu pra registrar um monte de coisa boa que ela estava fazendo pela primeira vez na vida. Olha, eu largaria fácil, fácil.

Para acompanhar todos os meus posts do desafio 52 semanas, clique aqui.

desafio52semanas_02

Eu nunca vi o final de Lost. Sei mais ou menos o que acontece e até tenho curiosidade de assistir mas como quase tudo nessa vida, preferi esperar o hype passar e agora sinto que perdi o timing. (sim, eu sei que essa informação foi extremamente relevante pra sua vida, caro leitor)

Eu nunca virei a noite acordada. Se passo muito da minha hora de dormir (que é às 22h, diga-se de passagem), chega um momento em que minha mente simplesmente pára de funcionar (e eu acho que é assim com todo mundo). Então a menos que seja estritamente necessário, jamais vou impor tamanha dor para meu corpo. Apesar de ter muito sono, eu não durmo tanto assim, já que por mais que vá para a cama relativamente cedo, é raro algum dia eu acordar depois das 6h.

Eu nunca mudei de casa. “Nasci” e vivi todos os meus 29 anos na mesma casa do Jardim Pacaembu. Como fiz faculdade aqui em Jundiaí mesmo, nunca houve uma grande necessidade. Nem de cômodo da casa eu me mudei, acredita?

Eu nunca falei palavrão na frente dos meus pais. Sou extremamente boca-suja e uso os palavrões muito mais como interjeição do que para xingar alguém de fato. Mas algo me bloqueia de proferir palavras de baixo calão quando minha família está por perto, chega a ser até engraçado (mas não é algo que me incomoda, não).

Eu nunca usei delineador. Acho lindo, maravilhoso, mas eu não consigo passar. Nem é uma questão de falta de habilidade porque isso eu sei que seria resolvido com um treinamento básico. É muito mais uma questão de ser impossível puxar a minha pálpebra com a minha lente de contato rígida (porque ela salta do olho) (e, ok, isso eu resolveria tirando a lente) e o fato de que enxergo muito pouco com o olho direito (mesmo com as lentes) então jamais conseguiria fazer o traço usando somente a visão dele. Metida não, míope.


Engraçado que há não muito tempo atrás eu poderia dizer que nunca tinha viajado sozinha, ido a uma balada ou tirado nota vermelha mas vejam só que tudo isso já aconteceu 😛

Quais são seus nuncas? Me conte nos comentários!

Diário

Desafio 52 semanas #01: Coisas que me fazem ficar feliz

Não satisfeita com o projeto 52 objetos que foi um #epicfail (mas que será retomado), decidi começar agora em 2017 o Desafio 52 Semanas. Já vi em vários blogs, mas chupinhei a lista mesmo do Polypop (e coloquei nessa página do blog pra ficar mais fácil de acompanhar). A única regra é citar 5 respostas a cada uma das 52 perguntas, respondendo a uma pergunta por semana, em forma de “Top 5”.

Quem mais vem comigo, hein? Não me deixem desistir, porfa!

desafio52semanas_01

Conseguir resolver pendências sem fazer nenhuma ligação. Sério, eu odeio falar no telefone, do fundo da minha alma. Quando consigo solucionar problemas do trabalho ou da vida através de e-mail, mensagem, sinal de fumaça ou tambor, minha ~deusa interior~ dá pulinhos de alegria.

Vinho gostoso. Espumante borbulhando sob meus lábios. O calorzinho que dá após algumas taças. A leveza que minha alma sente depois de alguns golinhos de biritinhas… serião, álcool (moderado) me deixa feliz mesmo.

Tirar notas altas em provas. Não tem como negar: sempre fui nerd, CDF, estudiosa e essas coisas todas mesmo. Hoje não me cobro mais tanto mas que é uma delícia ver uma notona no histórico, ah, é!

Não ser obrigada. Não que eu seja adepta da vida livre, leve e solta, mas fico tão feliz quando percebo que estou com alguém que não me obriga (ainda que involuntariamente) a nada. E nem tô falando de namorado, não. Tô falando em fazer as coisas só pra agradar os outros e esquecer de si mesmo, seja uma visita a alguém da família, seja uma saída pra qual você simplesmente não tá a fim de ir.

Viajar! Aliás, viagem me deixa feliz em dois momentos: na empolgação de quando estou indo e na vontade de chegar em casa quando estou voltando. Amo demais conhecer lugares diferentes, mas pra mim a felicidade de se conhecer e viver algo incrível longe de casa só se compara com a felicidade de tomar banho no meu chuveiro e encostar a cabeça no meu travesseiro.


Me conta aí o que te deixa feliz também! Tem tanta coisa que eu poderia ter escrito mas eu acho que a graça desses posts está exatamente em não pensar muito e colocar as primeiras 5 coisas que vem à sua mente… você concorda?

Um beijo!

Literatura

Leituras de 2016

Passaram bem a virada do ano? Pra mim foi bem tranquilo, como tem sido nos últimos anos. Mas devo dizer que poderia ter sido mais tranquilo ainda se eu “pudesse” ter ficado deitadinha na minha cama de pijama vendo seriados. Aliás, objetivo de vida pro próximo 31/12, hein? 😛

Eu gostaria de dizer que pretendo manter esse post como uma tradição de final/começo de ano mas dá até medo que falando isso ele deixe de existir. Então vamos apenas aproveitar os dois anos seguidos em que compartilho com vocês minha lista de lidos do ano que está no fim, ok? :)

Libraria Mas Puro Verso - Montevideo, uruguay

Libraría Más Puro Verso, que fica na Ciudad Vieja, em Montevideo (Uruguay). Uma das livrarias mais lindas que já tive a oportunidade de visitar! (aguardem posts)

Termino 2016 com 27 livros lidos (pouco mais de dois por mês, minha média mesmo) e 5 em andamento:

  • Morro dos Ventos Uivantes, da Emily Brontë (adorando a história, mas é um livro denso e preciso me concentrar bastante pra entender quem tá narrando sobre a conversa de fulano sobre o que ouviu ciclano dizer, ufa heh)
  • Criatividade Empática, da Bia Lombardi (com ilustrações da maravilhosa Rê Vitrola)
  • De Repente o Destino, da Susan Fox (eu gostei desse livro mais ~sensual~ mas acabou ficando esquecido, preciso retomar!)
  • Viva a Língua Brasileira, do Sérgio Rodrigues (estou lendo aos poucos, é delicioso esse livro sobre a nossa língua!)
  • Diário de Uma Vegana, da Alana Rox (que delícia que é ler a história da Alana <3 como me inspiro nessa mulher, meu Deus!)

Fiz bem menos ~resenhas~ do que planejei (só duas, que vexame!) mas aproveitei muito bem as leituras que fiz. Vamos à minha listinha?

  1. A Herdeira – A Seleção 4, Kiera Cass
  2. Eleanor & Park, Rainbow Rowell
  3. Geração de Valor, Flavio Augusto da Silva
  4. Como Eu Era Antes de Você, Jojo Moyes
  5. O Presente do Meu Amor, vários
  6. A Favorita – Um Conto de A Seleção, da Kiera Cass
  7. A Lista de Brett, da Lori Nelson Spielman
  8. Resposta Certa, do David Nicholls
  9. Depois a Louca Sou Eu, da Tati Bernardi
  10. A Coroa – A Seleção 5, da Kiera Cass
  11. Nunca Jamais, da Kolleen Hoover e Tarryn Fisher
  12. Fangirl, da Rainbow Rowell
  13. Carry On, Rainbow Rowell
  14. A Caderneta Vermelha, Antoine Laurain
  15. Tá Todo Mundo Mal, Jout Jout
  16. O Caderninho de Desafios de Dash & Lily, David Levithan e Rachel Cohn
  17. A Garota do Calendário – Janeiro, Audrey Carlan
  18. A Garota do Calendário – Fevereiro, Audrey Carlan
  19. Ligações, Rainbow Rowell
  20. Noite em Claro, Martha Medeiros
  21. Tchau, Lygia Bojunga
  22. O Projeto Rosie, Graeme Simon
  23. Kindred Spirits, Rainbow Rowell
  24. A Vida do Livreiro A. J. Fikry, Gabrielle Zevin
  25. Desde o Primeiro Instante, Mhairi McFarlane
  26. Mas Você Vai Sozinha?, Gaía Passareli
  27. Um Conto de Natal, Charles Dickens

Neste ano acabei de ler a série A Seleção, da Kiera Cass. Eu adoro esses YA mais bobinhos, mas achei que a autora correu TANTO no último livro :( A solução que ela deu para a seleção da Eadlyn foi excelente (e eu já tinha descoberto antes da metade do livro) mas ficou tudo tão perdido, tão solto. Enfim, só pra dizer que deveria ter acabado com A Escolha, viu?

Outro livro da categoria romance-água-com-açúcar que gostaria de destacar é o meu primeiro da Mhairi McFarlane, indicação da Taty: Desde o Primeiro Instante. MUITO GRACINHA! Conta a história da Rachel, jornalista (obviamente, né? autores de YA e afins adoram retratar jornalistas, né?), que acaba de terminar um noivado. Ela vai se redescobrindo e enquanto está nesse processo, tem uns flashbacks do passado, que nos faz conhecer a história dela com Ben. Enfim, é um livro sobre encontros, desencontros e timing. Vale a pena! Inclusive quero ler outro livro desta mesma autora, Amor À Segunda Vista, que só de escrever o título já me deixou morrendo de vontade de rever a comédia romântica com esse mesmo nome 😛

Já um dos meus preferidos do ano, de uma autora que fez com que eu me apaixonasse por sua escrita, é Carry On, da Rainbow Rowell. Que livro maravilhoso! E, não: não é uma fanfic do Harry Potter, é muito mais do que isso. Não vou me alongar, afinal: já fiz uma resenha gigante sobre o livro por aqui. Inclusive, terminei de ler tudo que essa mulher escreveu e aguardo ansiosa pela publicação em português do conto Kindred Spirits, que li em inglês (spoiler: a Novo Século já me disse que está prontinho!). Aliás, caso tenha curiosidade, em ordem do livro mais preferido pro menos preferido: Anexos, Carry On, Eleanor & Park, Ligações e Fangirl.

Este foi o ano das leituras despretensiosas serem incríveis surpresas, como A Caderneta Vermelha, que eu li todinho em um sábado cinzento e aqueceu demais meu coração, e A Vida do Livreiro A. J. Fikry, que fez com que eu me emocionasse lendo sentada no banco de uma pracinha de Colonia del Sacramento observando um senhorzinho uruguaio tomando seu mate logo cedo, antes da cidade ser invadida por turistas (como eu). Às vezes os livros nos marcam por suas histórias e outras vezes eles no marcam pelo momento que estávamos vivendo enquanto líamos.

Também houve algumas decepções, como Tá Todo mundo MalO Caderninho de Desafios de Dash & Lily, mas nada que tire o brilho das outras obras incríveis.

Eu não quero deixar aqui uma meta de ler X livros em 2017 ou listar títulos. O que já coloquei como objetivo de vida é ler mais clássicos como O Conde de Monte Cristo, Dom Quixote e Os Miseráveis, além de explorar mais a obra de Jane Austen (porque eu amei muito a única obra que li dela até hoje) e ~conhecer~ Tolkien (o Alê já me aconselhou a começar por O Hobbit).

E como foram as leituras de vocês? Algum plano novo para este ano? Estão participando de algum desafio?

Um beijo!


Aliás, estou me desfazendo de alguns livros que estão empoeirando na minha estante. São os das duas fotos abaixo e aqui está a lista com o valor de cada um, se aceito ou não troca neles e por quais estou interessada. Qualquer dúvida, me chamem no twitter ou mande um e-mail, tá bem?

Livros para Troca e Venda Livros apenas para Troca

Diário, Música

Sobre demoras de uma década e sonhos que não envelhecem

Antes de mais nada, eu preciso contextualizar vocês, ok? Adoro contextualizar, me deixa. E eu sou extremamente verborrágica, então vocês devem ler umas 800 palavras antes de eu chegar no assunto do post, já aviso.

No início dos anos 2000 a internet não existia dessa forma incrível que existe hoje. Nós ainda estávamos descobrindo o mundo maravilhoso da web e o conteúdo ainda era bastante limitado ao dinheiro que você tinha pra torrar em pulsos da internet discada, por exemplo =B. Não existia YouTube com seus vídeos relacionados, nem Spotify com a descoberta da semana. Era bastante comum que as músicas novas que descobríamos, seria ouvindo rádio, em trilhas sonoras de filmes e novelas ou no Disk MTV.

Disk MTV

Disk MTV, sua fonte de clipes na época em que não existia YouTube :)

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