Literatura

“Meu Nome É Memória”, Ann Brashares

“Vivi mais de mil anos. Morri incontáveis vezes. Esqueço o número exato. Minha memória é uma coisa extraordinária, mas não é perfeita. Sou humano. (…) Nunca tive filhos, nunca envelheci. Não sei a razão. Vi beleza em coisas incontáveis. Eu me apaixonei e ela é quem resiste. Eu a matei uma vez, morri por ela muitas vezes e ainda não tenho nada para exibir. Sempre a procuro. Sempre me lembro dela. Carrego a esperança de que, um dia, ela venha a se lembrar de mim.” (Daniel)

Tenho que confessar que o principal motivo para eu ter comprado esse livro (além do fato óbvio de ele estar em promoção) foi a autora. Adoro a Ann Brashares! A série A Irmandade das Calças Viajantes (que deu origem à adaptação pro cinema de Quatro Amigas e um Jeans Viajante) é minha série de livros favorita (empatada com Bridget Jones e Jogos Vorazes). Quando li a sinopse oficial fiquei com medo dela ter focado muito na parte religiosa da coisa mas fui positivamente surpreendida e é minha leitura preferida de 2015 so far.
Antes de mais nada, queria ressaltar que eu não acredito em vidas passadas, reencarnação, coisa e tal e, ainda assim, amei a história do fundo do coração. Sugiro que ninguém desista dela por não ter a mesma crença do que é exposto, vale a pena!

A história gira em torno das muitas vidas de Daniel. Por algum motivo (que não é retratado na história), ele consegue se lembrar de suas vidas passadas e consegue também reconhecer as almas que conheceu nas vidas anteriores (mesmo que estas mudem de corpos) mas estas nem sempre conseguem reconhecê-lo. Além dessas lembranças, outro sentimento é de presença constante no livro: seu amor por uma garota (Sophia – ou Lucy ou Constance, whatever) que perdura através do tempo. E é aí que está o problema: ele se lembra, ela não.

No ano de 2006 somos então apresentados à Lucy no começo do livro, uma estudante do colegial que vive em Virgínia e tem uma queda gigantesca por um colega de turma, Daniel. Ela só o observa de longe, não consegue entender o porquê de se sentir tão atraída até que em um baile do colégio, eles tem um encontro inusitado em que, entre tantas outras revelações, ele a chama de Sophia e ela, claro, se assusta.
A partir daí, o livro é narrado em dois tempos diferentes: passado (em primeira pessoa, com o Daniel contando) e presente (em terceira pessoa). Nos capítulos que retratam o passado, vamos conhecendo cada lugar pelo qual a alma de Daniel já viveu: Inglaterra, Antioquia, Congo Belga, Constantinopla, Georgia… Esse é um dos pontos do livro do qual mais gostei porque acabei sendo levada para estes lugares junto com ele, sabe?
Em cada um desses lugares, ele teve (ou não) a chance de encontrar Lucy. Achei infinitamente linda a descrição do “relacionamento” deles em Constantinopla. O cavalo, a tenda e o chuveiro improvisados… não vou contar mais para não estragar, mas incrível como a autora conseguiu descrever as sensações sem ser nem um pouquinho vulgar.

“Depois de ver a garota do norte da África apenas em lembranças e sonhos durante um par de séculos, olhei para a esposa de meu irmão e, para meu espanto, eu a encontrei novamente em carne e osso. Até hoje, não existe uma alma que eu reconheça tão depressa, nem de uma forma tão poderosa, quanto ela. Não importa sua idade ou posição social, ela deixa uma forte impressão sobre si mesma e sobre mim.” (Daniel)

E assim vamos acompanhando sua história. Em algumas vidas ele encontrou sua alma gêmea mas suas idades não eram compatíveis, tampouco suas classes sociais. A única constância, além de seu amor, era a dificuldade em ficar juntos. Até que conhecemos sua vida na Inglaterra, durante a guerra, e tudo muda. Aí entra na história a enfermeira Constance e uma nova chance é dada.
Já nos dias de hoje, vamos acompanhando Lucy tentando descobrir por qual motivo pensa tanto em Daniel e como ele consegue exercer tanto poder sobre sua mente. Ela recorre à hipnose e até uma cartomante e percebe que algumas respostas só serão encontradas do outro lado do oceano…

“Precisava se acalmar antes de prosseguir. Precisava encontrar sua coragem. Era um universo alternativo. Agora se encontrava nele e não podia voltar. Era um mundo onde era possível se lembrar de coisas que aconteceram antes de você nascer. Era um mundo onde era possível se comunicar consigo muito tempo depois de sua morte e se apaixonar por um garoto desconhecido seguidas vezes.” (Lucy)

Achei a diagramação do livro muito boa. Os capítulos levam como título o nome do lugar em que estamos e o ano, o que facilita demais a compreensão e a localização na história. Os personagens foram muito bem construídos. Dá pra sofrer junto com o Daniel, sabe? Com o que as ações dele acarretam pra si próprio e com o quanto ele se sente sozinho no mundo.

Não tenho a intenção de dar spoiler, mas li muitas resenhas reclamando do final e, olha, achei o “encerramento” tão adequado! Não me incomodei nem um pouquinho. Também não achei a história arrastada e nem com detalhes em excesso. Concordo, sim, que os capítulos finais foram um pouco corridos, porém não acho que tenha atrapalhado. Existem, ainda, rumores de que este livro fará parte de uma trilogia, porém procuro não pensar muito nisso e imaginar que o final foi o que é mostrado mesmo.


Título: Meu Nome é Memória
(5/5)
Autora: Ann Brashares
Editora: Suma das Letras
Ano: 2014
Páginas: 280
ISBN: 9788581052083
Onde comprar: Buscapé

A única tristeza é não ter conseguido deixar minha resenha mais clara e talvez nem ter conseguido demonstrar o quanto gostei desse livro. Muito mais do que um livro sobre vidas passadas, esse é um livro que explicita o quanto ficar preso ao passado pode influenciar em nosso presente e o quanto nossas ações refletem em quem amamos.

Recomendo demais a leitura 🙂

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6 Comments

  • Reply Adriel Christian 2 de março de 2015 at 11:40

    Você conseguiu sim mostrar o quanto gostou. Pó pará! 🙂

    Eu disse no post anterior que tinha gostado muito da capa dele por ser simples e agora preciso de um exemplar com urgência na minha mesa. Ando precisando deixar de lado livros água-com-açúcar e ler coisas novas, diferentes…

    Eu também não acredito em reencarnação e coisas do tipo. Respeito, mas tenho meu posicionamento sobre isso. Contudo, nada também impede de eu ler um livro sobre, né?! Hahaha. Nas minhas próximas compras literárias vou adicionar esse livro. Me chamou muito a atenção!

    Bjs!

  • Reply Janaina Silva 2 de março de 2015 at 11:43

    Oi Li!!!
    Estava esperando por essa resenha ^^
    Já adicionei o coleguinha na minha fila de leituras hehehe
    Adoro histórias assim, acho que se vc colocasse mais detalhes correria o risco de ter spoilers. ^-^
    Nem gostou do nome do mocinho né?
    Parabéns pela resenha!
    Bjinhos e já estou esperando mais posts!

  • Reply Mariana Morett 3 de março de 2015 at 16:55

    Como eu já tinha te falado antes, a sinopse desse livro me deixou muito curiosa, e agora lendo a sua resenha essa curiosidade só multiplicou. Com certeza entrou pra lista de desejos!

  • Reply May 7 de março de 2015 at 23:17

    Como sou Espírita, eu sempre acreditei em vidas passadas, mas nem sabia da existência desse livro. Fiquei surpresa por essa autora abordar esse tema, e nossa, já quero pra ontem! Eu adoro os livros da Suma de Letras, mas nem sempre gosto da diagramação e revisão deles. Espero que eu possa comprar esse livro logo!

    Beijão,
    May :*
    {tagarelando.net}

  • Reply Ana Paula Borges 11 de março de 2015 at 20:19

    Super amei a sua resenha e fiquei muito interessada em ler esse livro. A trama parece ser envolvente e curiosa. Acredito em vidas passadas. Bjsss http://www.janelasingular.com.br

  • Reply Ana 25 de março de 2015 at 21:04

    Caramba, fiquei muito curiosa pra ler esse livro! :O

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