Diário

Eu queria ser gostosa

Desculpa, mas eu queria.

Acredito que inteligencia valha mais que beleza em pelo menos 80% dos casos mas, me desculpem: às vezes eu só queria ser conhecida como a gostosa.

Quando adolescente, sempre me orgulhei por ser a mais inteligente da classe (até o colegial pelo menos eu era). Mas aposto que quando ouvem o nome da loira aguada meio burrinha, os garotos por perto ainda soltam: “aquela dos ‘peitão’?” já quando alguém fala de mim aposto que só dizem “ah, a chata que tirava 10, né?”.
Eu queria que eles me vissem agora. Queria que eles vissem que a nerd quatro olhos de sorriso metálico hoje tá bonitona. Emagreceu, tratou das espinhas, usa batom vermelho e não tem mais medo de shorts curtos. Mas eles nunca vão ver isso porque, oi, eu sou a nerd, lembram? Eu sou aquela que nunca era convidada para as festas. Sou aquela de quem os meninos só lembravam na hora de fazer o trabalho enrolado de História ou durante a prova de Literatura pra passar a resposta da questão 4.
Eu nunca tive admiradores. Nunca recebi um correio elegante na festa junina. Nunca ninguém chegou em mim e falou “quer ficar comigo?”. Nunca. E acho que ninguém devia passar a adolescência assim, mas passa.. Eu passei. E sobrevivi. Não sou traumatizada por não ter tomado um porre numa festa ou por não ter beijado ninguém do colégio durante a gincana. E não me arrependo de ter sido assim…

Mas me arrependo, sim, de não ter seguido os meus instintos por medo do que podiam pensar de mim. Mais do que isso: me arrependo de não ter me descoberto e me conhecido como me conheço hoje.

Como tudo na vida, isso também passou. E já faz 10 anos que saí do colégio, fui aprovada numa faculdade pública, me formei, comecei a trabalhar numa multinacional… Porém, mesmo depois desses 10 anos, mesmo depois de saber que ser a nerd que só tirava 10 valeu a pena, confesso: sabe o que eu queria mesmo? Eu queria ter sido a gostosa. Por um dia ou por algumas horas, eu queria ter tido a oportunidade de saber como é se sentir assim. Mas eu nunca soube.
(e são nessas horas em que escrevo um texto assim é que me sinto patética por, por pelo menos uns momentos, estar privilegiando a beleza ao invés da inteligência)

Texto velhinho meu, escrito lá em 2013. Espero que o entendam em sua essência 🙂

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8 Comments

  • Reply Janaina Silva 10 de fevereiro de 2015 at 21:47

    Lívia, gostosa! hehehehe
    O tal texto! Estava esperando ele ^_^
    Acho que todo mundo tem alguma coisa, de um passado remoto, que incomoda um pouco as vezes. Nos faz meio patetas ¬¬

    Correio elegante! Era tão fofo, será que ainda existe? Eu recebi sim…da minha mãe T_T tadinha!
    Enfim, eu acho que sairia correndo se alguém falasse comigo nos tempos da escola. O que me arrependo até hoje é de não ter seguido meu coração desde sempre. "Ser fiel a mim mesma" sabe? De resto sem grandes traumas. O que errei não posso mudar, apenas não repetir.
    Mas eu gosto muito mais de mim hoje em dia. Mais que ontem, menos do que amanhã. Acho que é assim que eu sigo.
    Gostei do texto. E o que interessa é o hoje. Hoje você é a gostosona do pedaço hehehehe
    Quero mais texto de "essência", heim?
    Um bjao para você!

  • Reply Kátia Paciukevich 13 de fevereiro de 2015 at 01:09

    Nossa me identifiquei bastante com o texto…ehehe…Eu lembro de ser aquela tbm que tinha trocentos apelidos, que um era pior que o outro…a brava e que na hora do perto fazia os trabalhos inteiros sozinha. bjooo

  • Reply Luly 13 de fevereiro de 2015 at 13:00

    Eu acho que não precisa se desculpar, todo mundo tem o direito de querer ser qualquer coisa mesmo que só por uns momentos, né?
    "E acho que ninguém devia passar a adolescência assim, mas passa.. Eu passei. E sobrevivi." – me identifiquei tanto. Eu era que nem você na adolescência… Nunca fui super inteligente, mas me esforçava bastante (justamente por ser meio burrinha), então enquanto o pessoal ia sair nos fins de semana eu ficava em casa fazendo exercícios de química. E sobrevivi e agora tô aqui. Estamos aqui. Felizes!

  • Reply Clayci 14 de fevereiro de 2015 at 18:39

    Não encontrei ninguém do colégio até hoje para mostrar como mudei.. Minto encontrei sim, algumas meninas populares que se tornaram mães cedo e se entregaram pra vida doméstica.. Não se cuidaram mais.. e olha como eu estou feliz hoje rs

  • Reply Adriel Christian 15 de fevereiro de 2015 at 22:08

    Eu lembro desse texto! Um dos melhores do teu antigo blog. <3

    Eu também nunca fui "o gostoso". Huahuahauahal. Sempre fui aquele gordinho, excluído, que as pessoas só procuravam pra pegar cola ou falar sobre trabalho.Mas, sabe de uma coisa? A gente cresce e percebe que isso são fases e, como tudo na vida, passa.

    Pra resolver o problema, é só jogar numa academia, fazer plástica e bla bla bla, mas isso que isso tudo não vale à pena apenas pra ser conhecida como "a gostasa". É bem melhor receber um elogio sincero, do que você tem que se modificar pras pessoas falarem bem. 🙂

  • Reply Michelli B.E. 19 de fevereiro de 2015 at 09:50

    Eu também nunca fui a gostosa…. era a chata e a nerd. Nunca ninguém me mandou correio elegante. Mas eu acho que se hoje você está se sentindo mais confiante, mais feliz então se joga! Nunca é tarde pra ser a gostosa =D

  • Reply Ana Carô 3 de março de 2015 at 23:19

    Eu sempre fui a amiga gorda das gostosas. Não sei nem quantas vezes algum cara de quem eu tava a fim veio me pedir pra ajudar a chegar em alguma das minhas amigas gostosas.
    E te entendo bem: eu bem q gostaria de ter sido a gostosa. haha

  • Reply Anônimo 18 de maio de 2015 at 18:57

    As pessoas falam vc é gostoza é isso a quilo mas as vezes eu ñ queria ser conhecida assim por que eu me sinto como um pedaço de carne e nada mas por um lado é bom mas pelo outro ñ é tão bom . mas tds tem direito de ser alguma coisa =D

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