Diário

Vida saudável. É mesmo?

(não esse não é um texto sobre Whey protein, treino do dia, gordices aleatórias ou padrões de beleza)

Eu sempre fui gorda (sim, gorda, porque gordinha ou fofinha são eufemismos que eu não aprecio). Nunca tive barriga negativa e minhas calças sempre rasgam entre as coxas. Lembro-me de poucas vezes na vida estar com meu “peso ideal”, segundo definem a sociedade, os médicos, as mídias, etc. Hoje estou bem próxima do que eu considero ser o ideal, mas ainda não cheguei lá.

Já pesei mais de 80 kg. Já fiquei dias à base de um Toddynho e um Polenguinho por refeição achando que eu estava indo bem. Já devorei tudo que tinha na geladeira depois de ficar mais de 18 horas sem comer. Já tentei botar tudo pra fora por culpa de ter comido muito. Eu me sentia feia, com auto-estima lá em baixo, mas não fazia nada direito para mudar esse quadro.

Sempre comi compulsivamente. Não adiantava provar um salgadinho de cada tipo, eu tinha que repetir pelo menos 5 vezes a coxinha deliciosa que estavam servindo, enfiando tudo na boca sem nem sentir o gosto direito.
A alimentação na minha casa sempre foi ruim, por assim dizer. Muitas frituras, muitos lanches, muitas tranqueiras. Se tem uma coisa que aprendi é que se na minha geladeira só tiver uva e alface, é isso que vou comer. Agora se tiver uva, alface, um bolo de chocolate e uma lasanha, a escolha será outra.

O negócio é que percebi que tinha que mudar quando “celebrei” a noite de Natal de 2014 internada no hospital por uma infecção alimentar (isso existe? bom, foi o que a médica falou). Foi horrível saber que a minha família não estava conseguindo celebrar nossa festa preferida porque eu estava internada, com uma febre altíssima que não baixava nem a pau e eles estavam preocupados comigo.
Fiquei ruim porque comi um salame estragado, vejam só. Talvez se eu tivesse pensado um pouco antes de comer aquele salame, eu não teria sido tão esganada e teria passado tão mal assim.
Hoje paro e penso: eu realmente preciso comer determinado alimento? E não estou falando em contar calorias, açucares, nem nada. É mais no sentido: eu realmente quero aquilo ou tô comendo só por comer?

Minha relação com a comida continua conturbada, mas tenho tentado diariamente me re-re-(…)-reeducar (perdi as contas de quantas vezes já tive acompanhamento pra fazer reeducação alimentar), me inspirar, me focar. Comecei a correr 3 vezes por semana, não só pra queimar calorias, mas porque faz bem pra minha mente, pra minha sanidade. Ainda faço escolhas erradas. Não me culpo se quero comer tapioca (tão famosa entre os ~instafit~) recheada com uma das gordices mais incríveis do mundo chamada Nutella. Nem se como pastel de queijo no café da manhã em Limeira. Ainda como feijão na janta mesmo sabendo que meu fígado vai reclamar e ainda tomo leite todo dia mesmo sabendo que vai me dar azia. Porém, não como mais embutidos, nuggets, hambúrguer e miojo, me rendi ao leite desnatado e não coloco mais açúcar no café/chá/suco. São pequenos passos, mas é necessário começar de algum lugar, não é?

O que descobri nesses anos de luta contra o ponteiro da balança e as centenas de antiácidos que já tomei é que preciso colocar nela não só os meus 74 kg, mas também as consequências de cada escolha alimentar que faço, todos os dias da minha vida.


Tradução livre: “os três ‘Cs’ da vida: escolhas, chances, mudanças. Você precisa fazer uma escolha pra ter uma chance ou a sua vida nunca irá mudar.” (fonte)

Este texto não tem o objetivo de inspirar, tampouco de mudar a vida de alguém, só queria compartilhar essa dificuldade que tenho e que não deve ser só minha 🙂

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8 Comments

  • Reply Vanessa Medeiros 27 de abril de 2015 at 21:33

    Bem profundo o seu desabafo. Já fiquei uma semana sem comer, já vomitei por comer compulsivamente, já tentei fazer exercícios igual louca, mas nunca dura muito tempo isso. Semana que vem vou começar uma reeducação alimentar e fazer exercícios de formas corretas, espero que dessa vez eu consiga, sempre vou adiando isso, mas agora não da mais pra adiar. Parabéns por estar correndo três vezes por semana, isso já é muito!
    Beijos
    http://www.umdiarioqualquer.com

  • Reply Clayci 28 de abril de 2015 at 14:31

    Tbm sempre estive acima do meu peso, e penso como vc..
    Não me privo de comer nada, apenas penso antes de comer se realmente QUERO comer aquilo..

  • Reply Jéssica Urbano 30 de abril de 2015 at 14:22

    Oi Lívia. Engraçado como são as coisas né? Eu já tive muito problema com peso também, mas no meu caso foi ao contrário: Eu sempre me achei magra demais. Minha luta era para ganhar peso e eu nunca conseguia. Hoje posso dizer que sou uma pessoa bem resolvida com isso e que me amo do jeito que sou. Meu corpo não teve mudanças drásticas nem nada, mas hoje acho ele lindo. Acho que o problema todo está em querer seguir um padrão de beleza. Por mais linda que você seja sempre vai vir alguém, a mídia ou a sociedade apontar um defeito em você e te dizer onde você deve melhorar. Eu percebi que o segredo está em ignorar esses padrões e valorizar a sua beleza do jeito que ela é. Nesse seu caso aí tem também a questão da saúde né? Acho que se você conseguir se alimentar de uma forma que te mantenha saudável, já é o bastante. Você é linda com o corpo que tem, pelo menos é assim minha forma de encarar as pessoas. A beleza delas é medida pelo tanto que elas se amam, e não por quanto elas parecem com as modelos das capas de revista.

    Enfim, dá uma olhadinha nesse vídeo que eu gravei, falo um pouco sobre autoestima e tal, pode ser que você goste: https://www.youtube.com/watch?v=wAY3M2SjlIw

    Boa sorte e saúde, se cuida!
    Bjss

    http://www.estrelaminha.com/

  • Reply Carol Barth 1 de maio de 2015 at 01:04

    Oie! Nossa, ótimo post! Confesso que não passo por isso, mas é ótimo ler esse pensamento. O problema maior com certeza é o padrão de beleza ridículo que a mídia nos faz pensar, mas… Eu sou da filosofia de que: Esqueça os outros, seja feliz consigo mesmo do jeito que você é, e do jeito que você quiser.

    Beijos,
    http://www.girlfromoz.com.br/ – Primeiro post sobre minha viagem para Nova York já postado! 🙂

  • Reply Janaina Silva 2 de maio de 2015 at 11:15

    Oi Li!
    Ganhei uns quilinhos indesejados ano passado, mas fui pra nutricionista, academia…reeducação alimentar.
    Ainda não cheguei no peso que eu considero ideal. Mas não faço loucuras.
    Eu sei que sempre que as coisas se desiquilibram em mim é ansiedade e stress. Então paro tudo e começo a colocar ordem na casa heheheh
    A opinião dos outros eu mando guardarem pra si kkkk
    Bjo flor!

    http://www.ochacomamigas.blogspot.com.br

  • Reply Poly 3 de maio de 2015 at 19:57

    Vida saudável não é aquilo que os instafits ficam postando todo dia. É muito mais que isso.
    Envolve o bem estar físico e mental.
    Tem que ter alimentação saudável e não envolve só peito de frango e batata doce (cinco cores no prato, por favor). Tem que ter a prática de atividade física e se sentir bem com o seu corpo, não importando o peso.
    Saudável é quem tem os exames clínicos bons e se sente feliz.
    Não precisa se matar na academia, comece aos poucos mesmo, faça caminhadas de 30 minutos, tente melhorar a alimentação, mas não fique paranoica. Se quiser comer um brigadeiro, um pacote de biscoitos ou um pote de sorvete, vá em frente, mas compense isso de alguma forma depois.
    É só ter um equilíbrio que dá certo. 😉
    Beijão

  • Reply Bia 4 de maio de 2015 at 12:51

    Oi Livia 😀

    Pra vc ver como aparência não diz nada, eu sempre fui magrela e nunca comi certo, aí foi acumulando aquela pancinha que todo mundo odeia O_o tive que ir no nutricionista para aprender a comer certo, comia 3x por dia, hoje como de 6 a 7, tudo balanceado com proteínas em todas as refeições (pois simplesmente não tinha). Faço exercícios pois sempre fui totalmente sedentária e acho que hoje estou caminhando aos poucos para uma vida saudável e consequentemente um corpo legal (que ta beeeeem longe ainda). Mas é isso, acho que cada um tem que ser feliz do jeito que bem entender, mas sempre se preocupar com a saúde.

    bjus!

  • Reply Manu 9 de maio de 2015 at 03:44

    Oi Lívia! Nossa, te entendo muito. Também luto com a balança direto e é sempre muito complicado. É um processo, na verdade, não existe fórmula pronta. Acho que muita coisa vai além da comida em si, tem mais a ver com como nos sentimos, as vezes comer funciona como um alívio, ou válvula de escape. Eu muitas vezes me sinto assim, escrevi sobre isso no meu blog hoje. Estou tentando aprender com calma a ser mais controlada e fazer boas escolhas, escolhas conscientes. Não adianta querer ser radical e cortar determinado alimento, pra mim pelo menos não funciona. Bem, te desejo muita sorte! Que você consiga o que deseja. bjs

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