Diário, Viagem

10 lições que eu aprendi longe do conforto da minha casa

É impossível viajar e voltar igual, com a mesma cabeça e com a mesma percepção. Talvez você vá pra um cruzeiro chique ou fique num hotel 5 estrelas e discorde disso. Mas quando você viaja sendo mão de vaca e sem luxos, é isso que você descobre: não dá pra voltar pra casa com os mesmos pensamento de antes de sair dela. Nesse final de semana, quando escolhi vestir meia-calça e saia mesmo com o frio inspirada pelas londrinas e quando fui ao mercado ver se encontrava “aquele” queijo que comi no Ciao Bella em Roma, eu percebi que não dá mais pra ser como eu era.
Vou me estender ao longo de inúmeros posts que vocês não vão mais nem aguentar ler, esse é só o primeiro deles, com minhas “impressões iniciais” registradas 🙂

1) Você tem que deixar suas frescuras em casa. Acho que essa foi uma das maiores lições que aprendi! Em um momento você pode estar em Paris vendo a Torre Eiffel lindamente e chiquetosamente enquanto que algumas horas antes no hotel chinfrim (que era o que você podia pagar) você teve que usar um lenço como toalha de mesa pra comer na cama (porque simplesmente não havia espaço), cortar o queijo brie com as mãos e misturar seu achocolatado no leite com o dedo porque simplesmente não havia outra forma de fazê-lo. E você terá ficado feliz de poder fazer isso em Paris, pouco antes de ver a Torre, do que no Jardim Pacaembu em Jundiaí, pouco antes de ver o campo do Paulista.

2) Não é o fato de alguém ter uma cultura diferente da sua que o faz melhor ou pior pessoa. Você pode estranhar que um cara saia de toalha do banho e se troque no meio do quarto do hostel (ou que uma menina passe de calcinha na frente do seu namorado, btw) ou ainda que alguém coma pão de fôrma com banana no café da manhã, mas isso não te faz mais ou menos do que eles. Inclusive eu diria mais: não demonstre o quanto você está estranhando… vai saber, inclusive, se alguém não estranhou e achou absurdo que tomávamos banho todo dia ou que eu molhava meu pão com manteiga no café-com-leite, não é? (e sobre a menina de calcinha, reparei que brasileiro é bastante recatado – seria falso puritanismo? – quanto a algumas coisas: lá fora, por exemplo, não tem essa de somente mulher limpar banheiro feminino, mesmo porque não tem nada a ver. Acho engraçado como aceitamos biquíni fio dental mas julgamos quem faz top less nas praias européias)

3) Você aprende a valorizar as pequenas coisas. Colocar uma meia limpinha depois de tomar um banho quente e de ter andado o dia todo? Não tem preço. Era angustiante passear pelas vielas de Roma sabendo que tínhamos duas garrafas de água conosco mas simplesmente não podíamos matar nossa sede porque não sabíamos quando encontraríamos o próximo banheiro. Aliás, nunca imaginei que usaria tanto banheiro público como usei (e trouxe uma micose de brinde, yay) e nem que sentiria tanta falta de um café que não se parecesse com chá, mas senti e, vejam só: foram apenas duas semanas.

4) Não faça economias burras. Não lembro exatamente qual a diferença, mas optamos ir por Guarulhos ao invés de Viracopos por causa do preço. Nunca me arrependi tanto! (mentchira, já fiz tanta burrada nessa vida muito pior do que escolher o aeroporto mais longe) Hoje, mesmo que desse uns trezentinhos de diferença pra cada um, eu iria pelo aeroporto de Campinas, mais perto pra mim e pro Daniel e muito menos estressante pra chegar.

5) Pesquise muito, mas não acredite piamente em tudo que você lê na internet. Cheguei no Campo di Fiori e cadê belezura que os blogueiros falavam? Voei de TAP e não vi ninguém da tripulação sendo grosso ou mal educado. Não to dizendo que as pessoas mentem online, só que existem percepções diferentes. Não achei os ingleses frios, mas achei os italianos calorosos. Nem percebi os franceses ficando bravos por eu falar somente em inglês com eles.

6) Viajar com o namorado não estraga o relacionamento. Ah, as maravilhas da convivência: “mimimi, ele vai ouvir quando eu fizer minhas ~necessidades~” (beijo, JoutJout) ou “ai, ele vai me ver descabelada e sem rímel ao acordar”. Deixa eu contar uma coisa pra vocês: todo mundo vai ao banheiro, todo mundo tem um dia em que está mais mal humorado do que o outro e só a Bela Adormecida acordou bonita do sono semi-eterno dela. Faz parte! Ainda mais se você pretende passar o resto da vida com a pessoa com quem você viajou, tudo isso eventualmente vai acontecer na vida a dois. E a temida convivência pode agregar. Hoje, por exemplo, eu sei que a chatice do meu namorado é altamente suportável, mesmo acordando cedo depois de dormir pouco (beijo, Dan) e ele sabe que eu nunca arrumo a cama de manhã e sou ~meio~ bagunceira e, ó, estamos aí, firmes e fortes! Viajar sozinho deve ser uma experiência incrível, mas ter alguém de quem você goste pra compartilhar cada momento é maravilhoso também, não tenham medo.

7) Quem converte… não se endivida! Existe aquela máxima de que “quem converte não se diverte”, né? Discordo totalmente. É claro que não dá pra ficar fazendo cálculos minuciosos enquanto você está no mercado, mas eu costumava fazer uma conta rápida, de cabeça, multiplicando o valor em euros por 3 e o valor em libras por 5. Aí aquela barra de chocolate de 5 euros ou aquela cerveja de 6 libras não ficam mais tão atraentes, não é? Priorizamos, também, passeios gratuitos. Em Paris e em Londres economizamos MUITO na alimentação porque jantávamos comida de mercado, congelada ou não (obrigada, Marks&Spencer e Monoprix pela graça alcançada!), dessa forma, pudemos nos dar o luxo de comer uma ótima massa e tomar um delicioso vinho todas as noites em Roma. Essa é a questão: priorizar e escolher.

8) Viu algo que gostou muito? Então compre! Não fique enrolando porque depois vai ser chato ter que voltar à Champs Elisee só pra pegar aqueles sabonetinhos daquela loja natureba e você pode não encontrar mais. Assim como não adianta chorar as pitangas no aeroporto quando notar que devia ter comprado mais uns três vestidinhos da H&M. Economize, sim, mas não se prive daquilo que você realmente quer.

9) Não se apegue a conceitos pré-estabelecidos. “Nooossa, mas como assim você não subiu na torre?” Não subindo, ué. “Não acredito que você não foi a um pub inglês!” Pois é, acredite. Não pretendo ser uma colecionadora de pontos turísticos. Cada um tem uma preferência e escolhe o que lhe convém. São formas e formas de viajar… maneiras e maneiras de se sentir pertencente a um lugar. Eu não precisei subir à torre pra sentir que estava em Paris. Aliás, ouso dizer que o momento em que eu mais me senti como uma parisiense foi quando compramos uma baguete e um suco de maçã e viemos comendo do Palácio de Versalhes até a estação de trem. Simples, viram só?

10) Viaje leve. Leve de bagagem, leve de pensamentos e principalmente leve de espírito. Não adianta estar milhares de quilômetros de casa e continuar pensando nos problemas que te aguardam no trabalho ao voltar. Esqueça, pelo menos por alguns dias, o que te faz mal. Aproveite o que a vida te proporcionou, carpe diem, manja?

Tenho muitas coisas a compartilhar ainda, mas vamos com calma, deixem também eu aproveitar as doces lembranças que trago comigo 🙂

Esse post faz parte da série Marinheira de Primeira Viagem, onde conto um pouquinho sobre meu planejamento e a viagem dos meus sonhos para a Europa (minha primeira viagem internacional, organizada de forma totalmente independente, praticamente um mochilão).

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14 Comments

  • Reply Jessica 3 de junho de 2015 at 14:57

    Oi Livs,
    venho acompanhando silenciosamente os posts e me encorajando a um dia viajar, mas adorei suas primeiras impressões.
    Ansiosa…conta mais…
    Bjos

  • Reply Bia 4 de junho de 2015 at 17:56

    HAHAHA adorei! Gente imagina, o numero 6 que vc citou, tive prisão de ventre na minha lua de mal, sabe pq? pq foi a primeira vez que viajamos juntos (1 mês antes de mudarmos pra Irlanda), foi tenso ahuuhahahua fiquei mau humorada, querendo matar o mundo pelo simples fato que não conseguir fazer meu numero 2 em paz HAHAHAHAHHAA
    Mas é isso aí, concordo com tudo que vc disse! Tbm não visitei a Guinness e todo mundo me pergunta WHY?! Simplesmente não tinha tempo, era estudante e custava caro pra mim (eu morava DO LADO). Mas é isso, bola pra frente, na próxima eu vou! haha

    bjão!
    My recent post Exercícios e reeducação alimentar, o que eu faço!

  • Reply Simone Paulino 6 de junho de 2015 at 23:41

    Identifiquei-me muito com a dica 8. Quando fui a Argentina, vi uma caneca linda da Mafalda, mas minha irmã disse para comprarmos na volta e… não comprei a caneca 🙁
    Adorei as dicas!
    Bjus e carinhos, fica com Deus!
    My recent post Festa Italiana

  • Reply Ana 7 de junho de 2015 at 19:46

    Amei o post!
    É bem o que você falou: cada um escolhe a viagem que quer, o que quer ver e é realmente um saco a galera que acha que se você foi pro lugar TEM QUE ter feito alguma coisa, só pra cumprir tabela.
    Também concordo muito com o lance de não ser mão de vaca com o que você realmente gostou (vivo me arrependendo por fazer isso e nunca aprendo) e por priorizar com o que gastar. Também comi comida de mercado quase todo dia em Paris e ó: vira e mexe falo pro Henrique que tô com saudade da pizzinha pronta do Carrefour de lá. HAHAHA.

    Tô doida pra ler seus próximos posts. 🙂
    My recent post 52 objetos: #22

  • Reply Livs 8 de junho de 2015 at 10:24

    ah, que bom que se pronunciou, Jessica!
    os próximos posts vão mostrar que é possível, sim, viajar, aproveitar muito e não voltar no vermelho heh
    beijão!
    My recent post 10 lições que eu aprendi longe do conforto da minha casa

  • Reply Livs 8 de junho de 2015 at 10:25

    acho que é até bom deixar umas coisas não feitas… motivo pra voltar outras vezes! heh
    beijo, Bia!
    My recent post 10 lições que eu aprendi longe do conforto da minha casa

  • Reply Livs 8 de junho de 2015 at 10:26

    acaba que é tanta coisa pra ver/fazer que a gente acaba esquecendo, né? bom, é um motivo pra vc voltar lá 🙂
    My recent post 10 lições que eu aprendi longe do conforto da minha casa

  • Reply Livs 8 de junho de 2015 at 10:28

    eu tbm me arrependo por ser mão de vaca em exagero mas ainda não aprendi ><
    o que eu curti das comidas de mercado é que elas tem mais sabor do que as daqui. Comemos delícias compradas em mercado em Londres e super barato. Vou fazer assim sempre!
    beijão 🙂
    My recent post 10 lições que eu aprendi longe do conforto da minha casa

  • Reply @agatabresil 8 de junho de 2015 at 16:55

    Amei esse post, meu sonho é viajar pelo mundo. Conheço poucos lugares, mas que conheci pequena e agora preciso ir atrás de mais memórias, mais culturas, mais experiências. Suas dicas são maravilhosas. Obrigada por compartilhar. Quanto a frescuras, tenho um monte e quero aprender a deixá-las de lado.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

  • Reply Manu 9 de junho de 2015 at 00:13

    Oi Lívia! Concordo demais com você! Amo viajar e cada vez que volto pra casa é como se um mundo de coisas novas fizessem parte da minha vida, sempre voltamos diferentes. Também acho que é super válido pesquisar, ajuda muito, mas tem coisas que não são exatamente como as pessoas falam. Ainda me esforço pra viajar leve, mas nem sempre consigo, não sou a pessoa mais prática do mundo. Só sei que viajar é muito bom, né? bjs!
    Manu
    manuetudomais.blogspot.com.br

  • Reply Janaina Silva 15 de junho de 2015 at 16:13

    Oi Li! Adorei o post!!! Olha, eu não consigo deixar certas frescuras em casa…me conheço bem T_T. Sendo assim, vou ter que pensar muitooo no planejamento da minha viagem ^^
    Mas com certeza o seus posts serão utilizados durante todo o planejamento…e claro a sua consultoria presencial que é o melhor *_*

    O item "viaje leve" foi feito para mim hahahahaha
    Um bjao p vc! Parabéns por conseguir transmitir pra gente as suas impressões de uma maneira tão gostosa de ler!

    Hora do chá! ” target=”_blank”>http://www.ochacomamigas.blogspot.com.br

  • Reply Livs 19 de junho de 2015 at 19:53

    Eu acho que viagens contribuem muito nisso, viu? obrigada pelo comentário!

  • Reply Livs 19 de junho de 2015 at 19:57

    Não tem como voltar igual mesmo *-*

  • Reply Livs 19 de junho de 2015 at 19:58

    opa! estamos aí pra consultoria particular heh

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