Literatura

“Nós”, de David Nicholls

Começo esse post dizendo que no momento em que escolhi esse livro pra ler eu não imaginava que era um lançamento nem tinha noção do quanto ia gostar da história dos Petersen.
Após ter lido dois chicklits da Meg Cabot praticamente em sequência (“Tamanho Não Importa” e “Tamanho 42 e Pronta para Arrasar”) fiquei sem rumo, sem saber o que leria em seguida. Foi então que cruzei com a sinopse desse livro… o fato dos protagonistas morarem nos arredores de Londres (amor eterno, amor verdadeiro) e fazerem uma viagem para a Europa (o “grand tour”) aliado à minha cisma com o filme “Um Dia” (que ainda não assisti), inspirado em outra obra também do David Nicholls, me fizeram escolher essa leitura (e não me decepcionei nem um pouquinho).

Talvez o que eu mais tenha gostado no livro tenha sido o quão real poderia ter sido a situação.
Somos apresentadas ao casal Connie e Douglas, ele um bioquímico e ela uma pintora. Os dois estão juntos há mais de 20 anos e tem um filho adolescente prestes a entrar pra faculdade, Albie. Em um belo dia (só que não), a esposa abre o jogo com o marido que não está feliz no casamento e pensa em se separar. Obviamente é um choque para Douglas, ainda mais estando prestes a fazer uma viagem em família pela Europa, meticulosamente planejada por ele. Apesar das dificuldades, o casal decide viajar mesmo assim, para aproveitar ao máximo esse possível último verão.

“Simplesmente não é verdade que se pode alcançar qualquer coisa desde que você ame muito essa coisa. Simplesmente não é assim.”

O livro é narrado em primeira pessoa, com capítulos super curtos (sério, o livro tem mais de 100 capítulos) que mesclam o que está acontecendo nos dias atuais com flashbacks e até divagações de Douglas. Isso dá um dinamismo incrível pra história (mas ao mesmo tempo é um problema, porque essa coisa de ir só até o final do capítulo não me satisfazia e eu sempre tinha que ler mais um heh). Não posso opinar sobre a diagramação pois li no Kobo (aliás, me lembrem de qualquer hora falar sobre ele).
Temos a oportunidade de descobrir que desde que se conheceram Douglas tem um perfil mais tranquilo, caseiro, estudioso, enfim, típico nerd e Connie já é a artista excêntrica, vida loka, que deixa ser levada pelos seus impulsos. Mas de uma forma ou de outra os dois acabam se apaixonando, talvez exatamente por serem um equilíbrio um para o outro.

“Nossas biografias nos envolvem tão intrinsecamente agora que ambos estamos em quase todas as páginas.”

Porém desde o começo o leitor mais atento já percebe que neste relacionamento existe alguém que ama mais do que o outro, como muitas vezes acontece. Minhas impressões são que Connie é desleixada, não se importa com os sentimentos de ninguém além dela mesma e do filho. Vejo Douglas se esforçando demais pelo casamento e não tendo nada em troca, mas acho que a vida é assim, não é?

Ao longo do livro, podemos viajar junto com eles. As descrições dos museus, dos canais em Amsterdã, da Gare du Nord em Paris, da ponte Rialto em Veneza… enfim, é tudo muito bem descrito, de uma forma que a leitura não se torna enfadonha. Inclusive creio que isso aconteça por causa dos capítulos intercalados (passado e presente).

O que ficou em mim na segunda metade do livro foi que não era o relacionamento entre o casal que precisava ser salvo, mas muito mais o relacionamento entre pai e filho. E é isso que Douglas faz, vai ao resgate não só de Albie, mas da relação que eles deveriam ter.
Outro ponto muito bacana do livro são as comparações com a relação de Douglas com seus pais e com os pais de Connie. No fim das contas, sempre achamos que seremos melhores pais do que os nossos jamais foram, né? Mas nem sempre é assim. Os tempos passam, as mentes divergem, os costumes mudam. Não dá pra esperar que a nova geração entenda que evoluímos no modo de educar nossos filhos, pois a geração deles já está ais à frente ainda do que a nossa.

“Sempre fui levado a crer que o envelhecimento era um processo lento e gradual, o deslizar de uma geleira. Agora percebo que acontece rapidamente, como neve caindo de um telhado.”


Título: Nós
(5/5)
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 384
ISBN: 9788580577037
Onde comprar: Buscapé

Enfim, “Nós” não é de forma alguma um livro melancólico sobre um fim, mas sim um aprendizado sobre um novo começo. Indico muito praqueles que gostam de romance sem ser piegas, apreciam relatos de viagens e procuram uma literatura com personagens menos juvenis.

Só sei que depois desse livro já quero devorar todos os outros do David <3 (inclusive já comecei a ler “Um Dia”e tô amando!).

Ah! Pra quem já leu o livro ou é curioso e não liga de ter alguns detalhes a mais da história, recomendo ler essa reportagem portuguesa com o próprio David, pra mim faz todo sentido o “road movie literário” do título ^^

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14 Comments

  • Reply Carissa 28 de julho de 2015 at 15:04

    Eu estou lendo e estou amando. Sou uma grande fã do David e amo Um Dia.
    Com relação à "Nós", acho que o Douglas se esforça demais e a Connie é extremamente egoísta. E o engraçado é que acho que o Douglas é o tipo de pessoa que se eu conhecesse na vida real nós teríamos um relacionamento complicado, já que eu trabalho com arte e ele não entende arte de jeito nenhum.
    Enfim, gostei muito só post.
    Beijos,
    Carissa

  • Reply Tatiana Nais 28 de julho de 2015 at 18:59

    Eu já li Um Dia e gostei bastante, mas acho que fiquei meio cansada do livro porque tinha visto o filme fazia pouco tempo e estava com a história muito fresca, sabe? (O mesmo aconteceu com Simplesmente Acontece, que não terminei de ler até hoje porque vi o filme e fiquei meio com preguiça de ler o livro, preciso terminar). Eu nem tinha dado muita bola pra esse livro do David, mas depois de você dizer que estava gostando e depois dessa resenha estou querendo muito dar uma chance pra ele. Já vou colocar na minha lista do skoob. 🙂

  • Reply Camila Faria 28 de julho de 2015 at 19:28

    Já li algumas críticas positivas e outras nem tanto a respeito de Nós. Fiquei meio dividida até ler a sua resenha ~ e agora acho que me interessaria sim pela história!
    http://naomemandeflores.com

  • Reply Adriel Christian 29 de julho de 2015 at 15:00

    Preciso desse livro!!! Adoro os livros do David. Você tá perdendo em ainda não ter visto "Um dia". Eu achei no início a história bem confusa, mas depois que pega o ritmo, tudo segue que é uma beleza.

    Já coloquei o teu livro na minha listinha porque, além de ter uma capa linda e simples, a história parece ser ótima. <3

  • Reply clayciele 29 de julho de 2015 at 20:14

    Lívia, eu quero dar uma chance para esse livro sim.. Mesmo as pessoas falando mal de algumas obras do autor e talz (não posso opinar porque ainda não li nenhum rs)

    Fiquei curiosa pela história *_*
    Beijos
    ” target=”_blank”>http://www.saidaminhalente.com

  • Reply Livs 30 de julho de 2015 at 18:26

    Eu tbm me relacionaria com o Douglas, meu tipo de cara heh

  • Reply Livs 30 de julho de 2015 at 18:27

    É, to enrolando pra ler Simplesmente Acontece por conta disso…

  • Reply Livs 30 de julho de 2015 at 18:27

    Eu li mais positivas do que negativas, mas leia sim, quero saber sua opinião 🙂

  • Reply Livs 30 de julho de 2015 at 18:28

    Já tô resolvendo isso: tô lendo Um Dia heh

  • Reply Livs 30 de julho de 2015 at 18:28

    Eu tbm nunca tinha lido nada dele e virei fã *-*

  • Reply Mariana Morett 31 de julho de 2015 at 02:48

    Eu já comentei que tentei ler Um Dia do David e achei chato, né? Por isso, mesmo você falando super bem desse livro novo dele eu nem me animo muito. Sei que talvez desse eu possa gostar, mas tenho outras prioridades na frente. Meio que peguei birra do autor.

  • Reply marcela 2 de agosto de 2015 at 00:48

    Ai Liv, viajar para lugares assim é algo que não tem preço!! E que lindas as suas fotos!!! Morro de vontade de conhecer Paris, acho super mágico!! Beijinhos!

  • Reply Ana 17 de agosto de 2015 at 20:28

    Vi esse livro na livraria no final de semana e fiquei bem curiosa. Não gostei tanto de Um Dia (mentira, amei e no final bodiei) e queria ler alguma outra coisa do David pra ver se perdia o bode dele.
    Taí, entrou pra listinha de Black Friday. Hahaha

  • Reply 101 coisas em 1001 dias 27 de outubro de 2015 at 10:28

    […] « Um pouquinho de tudo » Nós, de David Nicholls […]

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