Diário

O lado simples da vida

Meus planos para o post de hoje eram totalmente outros. Mas estive vendo tantas inspirações incríveis durante o Blog Day e o BEDA que fui influenciável (pro bem). E como eu acredito que as melhores coisas da vida vem de momentos em que a gente não espera e de situações que a gente não planeja, cá estou.

No final de semana passado eu fui pra Itajubá em Minas Gerais pro casamento do André, que trabalha comigo há uns bons anos (e é uma das pessoas com maior coração que eu conheço). O caminho que fizemos passou por Extrema, Itapeva, Camanducaia, Cambuí, Pouso Alegre, Piranguinho e finalmente Itajubá (quer dizer, ao menos foram essas as cidades que eu lembro de ter visto a plaquinha na Fernão Dias).

Enquanto eu dirigia na ida, mas principalmente quando o Daniel dirigia na volta, pude ver pastos gigantescos, com somente uma casinha lá no meio de tudo. As vacas descansando debaixo da sombra de uma única árvore em meio aquele verde todo. Um banquinho de madeira na beira da estrada que nos fez parar para tirar foto. Um senhorzinho atravessando a estrada em uma calmaria de dar inveja. A moça da loja de doces nos atendendo com um sorriso estampado no rosto e um sotaque delicioso de se ouvir.
Pessoas sendo felizes, sabem como é?
Não estou dizendo que os mineiros são mais felizes do que os paulistas, só estou dizendo que pude ver a beleza da vida simples. Parecido como quando eu vou pra Limeira e vejo as pessoas colocando a cadeira na calçada e passando a tarde toda conversando.


Pode ser uma ilusão, pois afinal estou vendo de fora e no fundo todo mundo tem seus monstros. Vai que a senhorinha que vendeu o melhor picolé de morango que já experimentei na vida estava chateada de trabalhar num sábado… ou que os donos do restaurante vegetariano incrível no qual almoçamos estavam enfrentando a crise… isso eu nunca vou saber, mas estou bem com isso.
A igreja em que meu amigo se casou foi enfeitada com mosquitinhos* e foi uma das decorações mais lindas que vi nos últimos tempos. O pastel de milho que a barraquinha dos jovens da comunidade estavam vendendo era delicioso (apesar de eu ter tirado o recheio, pois quando perguntamos pro menino do que era o pastel, ele respondeu muito educadamente: “de milho” e a jundiaiense tonta aqui achou que o recheio era de milho – mas era de carne).
*sei que em alguns lugares essa flor é conhecida pelo nome correto, gipsófilas. Mas por qualquer um dos nomes pela qual é conhecida, não é lá uma flor muito nobre, geralmente é complemento no arranjo e não a flor principal.

No domingo também foi aniversário do Daniel, meu namorado. Ele ~me proibiu~ de comprar presente e eu acatei. Mas no fundo ia me sentir muito mal em não dar algo pra ele… (estranho, né? Se eu estou fazendo o melhor pelo nosso relacionamento, valorizando a pessoa incrível que ele é não somente nesse dia, por que me preocupar tanto em presentear?) De qualquer forma, ele falou em “comprar” presente, não foi? Não disse nada sobre “fazer” um presente, não é? (nesses momentos em que acho uma brecha no discurso das pessoas é que tenho certeza de que sou filha de advogado)
Ao longo da semana separei algumas horinhas para escolher músicas que tivessem a ver com ele e com a gente e pra escrever uma cartinha explicando o porquê das minhas escolhas. Eu sei, típico presente de namoros mais recentes. Foi um gesto simples, mas que fiz de coração. Deu saudade de ficar escrevendo cartas pras amigas do colégio e dobrar em forma de coração. Aliás, ele disse que gostou da cartinha e que percebeu o carinho com o qual escrevi. Missão cumprida, certo?
No final das contas, valeu a pena gastar meu tempo procurando um tutorial de como fazer uma capa de CD de origami ao invés de ir no Boticário comprar um perfume. Não tenho nada contra perfumes, eu adoro, inclusive, mas foi bom fazer algo diferente.

Não estou dizendo que a vida é feita somente de presentes feitos à mão e travessias tranquilas por estradas quase vazias. Nem que não me importo com dinheiro (sou daquelas que acreditam que só não se importa com dinheiro quem o tem de sobra e não precisa se preocupar em pagar suas contas). Mas acredito que no final das contas o que vale, o que realmente fica é esse tipo de lembrança, de sentimento.


Talvez quando for o meu casamento eu não me lembre de cada utensílio de cozinha que ganhei mas guarde na memória com carinho cada bilhete que foi escrito e cada sorriso quando eu entregar o convite. Ao menos é o que percebo com o exemplo da minha viagem: posso não saber o nome de nenhuma loja chique pela qual passei mas se parar pra pensar sinto até hoje o gosto do waffle que dividimos no Jardim das Tulherias.

Entendem o que estou dizendo, não entendem? Tenho um firme palpite de que não sou a única que tem pensado assim ultimamente…

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20 Comments

  • Reply Chell 2 de setembro de 2015 at 13:02

    Que lindo esse post!!! É exatamente isso!!!!! Lembrar do que é simples =D
    Comprou pé de moça em Piranguinho? é o melhor que tem =D

  • Reply Stephanie Ferreira 2 de setembro de 2015 at 13:32

    Muito lindo o seu post, adoro admirar as coisas lindas da vida e refletir sobre elas.
    Eu conheço todas estas cidade porque sou aqui do Sul de MG 🙂
    Um beijo

  • Reply @balladofpattyk 2 de setembro de 2015 at 14:22

    É muito bom ter esse ~choque~ de realidade de vez em quando e ir para um ambiente completamente diferente do nosso, né? Sempre que vou pra minas tenho esse mesmo tipo de reflexão! Nunca imaginei uma decoração feita de mosquitinhos mas deve ter ficado lindão mesmo, fiquei curiosa 😛

    Esse post tá lindão e eu não poderia concordar mais!

    Beijocas

  • Reply Tatiana Nais 2 de setembro de 2015 at 15:00

    Adorei seu post, Lí. As vezes a gente foca em algumas coisas e esquece de outras, né? Depois que terminei meu namoro tenho olhado pra tudo com uma perspectiva diferente e acho que isso faz bem pra gente, sabe? Se a gente sempre olhar pra tudo da mesma forma não tem graça. E é bom ter memórias de coisas boas assim, né? A gente não esquece e sempre que lembra fica feliz. Beijo, Lí!

  • Reply jcarolinelira 2 de setembro de 2015 at 14:34

    Eu morava em São Paulo capital no ano passado, e me mudei pro interior (Sta Rita do Passa Quatro – 30 mil hab – 4 horas de SP) e nesse trecho todo de 4 horas de viagem tive a mesma sensação que vc teve: ver a simplicidade pelo caminho, os pastos, vendo as casinhas e as fazendas, os laranjais… Foi um choque sair de SP e vir pra cá, apesar de ter crescido aqui. Mas confesso que essa simplicidade tem me feito muito bem. Tenho me tratado contra a depressão a alguns anos, e acho que nunca estive tão bem quanto estive aqui (apesar de as vezes reclamar que na cidade não tem emprego, nada e tal, haha) mas tem sido uma dádiva pra minha saúde.
    E achei lindo o presente que vc fez pro seu namorado. Eu valorizo muito mais uma cartinha escrita a mão, as vezes, do que um presente comprado e caro sem nenhum bilhetinho. Deve ter ficado incrível a capa de origami! 🙂
    ” target=”_blank”> ” target=”_blank”>http://www.deepluv.com

  • Reply Manu 3 de setembro de 2015 at 13:22

    Oi Livs! Entendo você completamente. Muito mais importante que coisas que compramos, são as lembranças, os sentimentos, as coisas simples. Prefiro mil vezes viajar do que comprar alguma coisa. É muito fácil esquecer disso e ser envolvido pelo consumo, compras, novidades, mas vale muito a pena tirar uns minutinhos para refletir sobre a felicidade que as coisas pequenas e que não custam nada (financeiramente falando) podem trazer.
    Bjs!! :))
    Manu
    manuetudomais.blogspot.com.br

  • Reply Leticia 3 de setembro de 2015 at 18:08

    que fotos bonitas! Adorei a mensagem.. ando pensando cada vez mais nisso e valorizando as coisas simples.
    Dinheiro, claro, é importante.. mas não é tudo 🙂
    Adoro presentes feitos e personalizados. Acho que tem mto mais significado do que comprar qlqr coisa pra cumprir protocolo!
    Bjs

  • Reply Kátita 4 de setembro de 2015 at 02:13

    Hey, adoro os seus posts!!! As vezes na correria do dia-a-dia a gente esquece de "parar"' um pouquinho e apreciar os detalhes…que fazem toda a diferença. As vezes pode trazer uma boa lembrança atona.
    Bjo

  • Reply Fernanda N 4 de setembro de 2015 at 11:36

    oiiii liiii! 🙂
    esse seu post é bem verdade, viu? eu concordo plenamente com o que você disse lá em cima… as melhores coisas da vida são aquelas que acontecem sem planejamento, quando a gente menos espera. e também concordo sobre os momentos simples. as coisas simples sempre são mais gostosas, porque acontecem de forma natural, sem pretensão, e são mais "verdadeiras". quando eu viajo para algum lugar mais "reservado", sempre observo bastante essas coisas… a simplicidade da vida. adoro ficar olhando para a paisagem ao lado da via e esse tipo de coisa. me lembro de dois casos recentes, acontecidos no ano passado… o primeiro, quando fui visitar minha amiga numa cidade do interior do rio grande do sul, e dirigi cerca de 250km sozinha, apenas observando as coisas à minha volta… e depois, na volta, mais 250km de tranquilidade e calmaria. o segundo foi quando peguei um trem de boston a nova iorque e passei por várias cidadezinhas pequenas ao longo do percurso… casinhas simples, cidades simples, sem prédios, sem luxo… moraria em qualquer uma daquelas cidades lá e aproveitaria muito essa calmaria que emana desse tipo de cidade e vida. e sobre o presente, também concordo com você. presentes materiais, em algum momento, vão acabar fugindo da memória… presentes feito com o coração (e nem digo presentes, mas gestos, ações, palavras, etc) estarão sempre lá, guardados no nosso coração… tudo o que eu peço é isso, sabe? essa simplicidade, essa naturalidade na vida. pelo menos por agora, ainda não encontrei isso – exatamente como eu quero – mas eu não vou perder minhas esperanças… que bom que você já consegue viver um pouco disso em alguns momentos… fiquei superfeliz por você! e ah, fiquei mega curiosa para ver a decoração do casamento com os mosquitinhos… tu não tirou fotooo?
    beijo, beijo!

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 15:31

    comprei sim, Chell! que delícia *-*

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 15:37

    Ah, que legal! Esse pedacinho de MG é tão pertinho de São Paulo… obrigada pela sua visita!

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 15:44

    nossa e como é bom, Patty! Pior que mal tirei fotos =/ mas encontrei essas em FB alheios (qualidade ruinzinha): http://goo.gl/YzfAyC e http://goo.gl/Munj1O (aqui tem outras flores, mas as que mais apareceram foram os mosquitinhos). Achei tão delicado e simples <3

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 15:48

    Comentário bíblia – adoro!
    É essa naturalidade e falta de pretensão que me encantam <3
    Isso me lembro de quando peguei o trem de paris para Versalhes, foi bem assim que me senti tbm.
    Então, não tirei foto, não rs encontrei essas duas em FB alheios, mas a qualidade está ruinzinha, mas dá pra ter uma idéia: http://goo.gl/YzfAyC e http://goo.gl/Munj1O
    E que bom ter vc por aqui <3 beijo, Fê!

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 15:49

    E como fazem! *-*

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 15:51

    É bem isso que penso: dinheiro é importantíssimo, mas não é tudo 🙂

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 16:00

    Dinheiro gasto em viagem pra mim é investimento, sabe? Beijo!

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 16:01

    Pois é… bora focar no essencial. E mudar a perspectiva é sempre positivo, não é? beijo!

  • Reply Livs 4 de setembro de 2015 at 16:02

    Super pequenininha sua cidade! Não tem como não fazer bem, né? Dá uma desacelerada no nosso ritmo doido. Obrigada pelo comentário, Jessica!

  • Reply Adriel Christian 4 de setembro de 2015 at 17:21

    Oioioi!

    Como sou do interior tipo roça, eu sou uma das pessoas que os outras passam e ficam pensando o que se passa na cabeça daquela pessoa. E sim, quando eu viajo pra cidades menores do que a minha, eu tbm faço essas reflexões ou apenas aproveito a paisagem. Geralmente os lugares são repetidos, então, tenho aqueles lugares preferidos onde me remetem à várias coisas da minha vida. Sei que é louco.

    Agora sobre seu presente de aniversário, eu adorei o presente e ficaria tbm muito feliz se alguém fizesse isso pra mim. Eu acho que me pareço um pouco com o seu namorado, pq eu não gosto de ganhar presentes de aniversário. Meus amigos, graças a Deus, respeitam e só fazem festinhas mesmo. 😉

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:57

    Não tem jeito, né? Quando vamos pra lugares menores e mais simples, essas reflexões batem à porta…
    Eu até pensei em fazer festa, mas acho que o Dan talvez não fosse aprovar tbm rs

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