Viagem

Paris – Basílica de Sacre Coeur e Montmartre

Ah, a Basílica do Sagrado Coração (em francês, basilique du Sacré-Cœur, se pronuncia “sá-crê-quér”), o ponto mais alto de Paris *-*

Saímos da Champs Elysees não me lembro bem por qual estação do metrô. Imagino eu que tenha sido a mesma pela qual chegamos, Charles de Gaulle-Etoille. Estando lá, uma das opções é tomar a linha 2 do metrô, sentido Nation e descer na estação Anvers. Dessa estação dá pra ir a pé como fizemos (é fácil de se guiar) ou pegar o bondinho de Montemartre, chamado de Funiculaire.

O bairro de Montemartre em si é famoso não só pelo filme de Amélie Poulain como por seus pintores de rua, seus cafés e seus cabarés. Como eu só fui à basílica, recomendo a leitura deste artigo pra quem se interessar saber mais sobre esse bairro tão famoso de Paris.

Antes de falar da minha visita, posso falar do meu draminha inicial, certo?
Eu queria MUITO visitar essa basílica mas fiquei morrendo de medo de ir porque no ano passado, quando o Daniel fez o mochilão dele, ele sofreu um golpe nas escadarias da basílica. Foi o golpe da pulseira (leia tudo sobre ele nesse artigo e mais informações sobre segurança em Paris neste outro). Basicamente o golpe consiste em uma abordagem feita geralmente por imigrantes africanos que querem te vender uma pulseira e colocam ela à força em seu pulso. A partir do momento em que você diz que não quer comprar, eles agem de forma violenta pedindo dinheiro de qualquer forma. Nessa brincadeira, o Daniel perdeu uns bons Euros, pois geralmente eles agem em grupos e são bem intimidantes e ameaçadores. Então imaginem o cagaço que senti ao saber que iria pra lá. O Daniel fez algo muito inteligente e decidiu “do nada” me levar pra Montemartre, assim não tive tempo de pensar em desistir. Obrigada, Dan! =*

Subi o caminho do metrô das escadarias em pânico, principalmente quando vi ambulantes. Por orientação do Daniel e de tudo que li na internet, fechei a cara, subi rapidamente, sem olhar pros lados e agarrada à minha bolsa. No final das contas meu medo foi bem à toa. As escadarias estavam cheias de gente e só vi os africanos vendendo miniaturas da torre, ninguém tentando amarrar porra nenhuma pulseira no meu pulso.
Existe a opção de subir de bondinho, conforme falei acima (fizemos isso na volta), mas a graça toda está em enfrentar os degraus e chegar ao topo, sabe?

A igreja de mais de 100 anos foi construída como um pagamento de promessa caso a França sobrevivesse às investidas do exército alemão durante a guerra Franco-Prussiana (1870). O estilo tem influências românticas e bizantinas e ela é feita de mármore travertino, branquinho, coisa linda contrastando com o céu azulzinho de Paris *-* não tem como não ter valido a pena, entende?
Aliás a vista que tive de Paris estando no alto das escadarias da Sacre Coeur foi a minha vista favorita da cidade. É lindo! Se compara à vista que tive de Roma quando subimos na Vila Borghese <3 (aliás, falta muito pra eu começar a falar de Londres e Roma? Cansei de Paris, so sorry)

Uma coisa interessante é que os parisienses acham a Basílica de Sacre Coeur horrível. Engraçado, né? Bom, como eu sou brasileira-turista-padrão, achei linda (mas pela experiência como um todo, curti muito mais a Notre Dame).
Dentro da basílica não pude tirar fotos, mas é tudo muito bonito. Aqui a gente consegue ver uma foto do interior e ter uma boa noção do quão grandioso é. Uma coisa que achei genial foram as máquinas de medalhinhas (inclusive trouxe uma para cada vó). São vending machines, tipo aquelas que vendem refrigerantes ou salgadinhos (vi muitas nas estações de metrô), mas com medalhas da Basílica. Cada máquina tem um modelo diferente, bem bacana. Nesse blog tem uma foto, vejam só.
Pudemos, também, assistir parte de uma missa lá. Foi bom não só para ouvir a língua linda que é o francês como para descansar as pernas da subida e acalmar o coração do medinho de chegar até lá (sou tonta e cagona, já disse).

Funcionamento: das 06 às 22h30 (mas não recomendamos ir muuuito cedo nem muito tarde, porque tem pouco movimento e pode ser mais fácil você ser algo de um dos golpes)
Entrada: gratuito
Localização: 35 Rue du Chevalier de la Barre, 75018 Paris, França
http://www.sacre-coeur-montmartre.com/

Como comentei, na hora de ir embora, optamos por descer de “bondinho”. Estávamos ainda com o passe Mobilis (que nos dava direito a usar quantos transportes quiséssemos por um preço único, conforme expliquei aqui), então foi bem fácil utilizar. Me senti entrando num elevador grandão. Rápido, fácil e indolor heh

Chegando lá embaixo, de volta às ruas de Montemartre, eu estava faminta, afinal: só tinha comido os lanchinhos e as bolachas que levamos. Aí veio subindo um cheirinho de queijo e dei de cara com um lugarzinho vendendo crepe, em uma esquina. Meu, não deu: me joguei em um crepe de queijo delicioso que me rendeu uma das melhores (e mais engraçadas) fotos da viagem (in my opinion).
Aliás, crepe e waffle eram as duas comidas que eu queria muito experimentar em Paris: mission accumplished para ambas! (o melhor waffle de nossas vidas nós comemos no Jardim das Tulherias, vou contar em breve)

Nenhum de nós tinha curiosidade de conhecer o bairro que ficou famoso por causa de Moulin Rouge, então retornamos para o hotel e dormimos como duas pedras porque o cansaço bateu de jeito depois de termos ido em Versalhes, visto a Torre, visitado o Arco do Triunfo e a Champs Elysees e conhecido a Basílica de Sacre Coeur num mesmo dia. Uuuufa!

Apesar do receio inicial, gostei demais da visita, teria me arrependido muito de não ir (ou não, né, porque daí não teria visto de perto e não saberia o que estava perdendo). E aí vem minha pergunta: vocês já deixaram de fazer algo que queriam muito por medo? Ou foram na onda de experiências ruins de outras pessoas e se arrependeram depois?

Enfim, o que aprendi é que devemos ficar sempre em alerta, seja na Catedral da Sé ou na Notre Dame, mas isso não deve nos impedir de viver, certo?

Esse post não tem intenção nenhuma de desestimular alguém de visitar esse lugar lindo de Paris, tá? É só um alerta. Quem está acostumado a andar em regiões como a 25 de Março em Sampa, o calçadão de alguma praia ou lidar com pedintes em algum estação de trem sabe bem o cuidado e a atenção necessárias pra ninguém bater sua carteira ou aplicar algum golpe, não é mesmo?

E no próximo post: o fucking awesome Musee du Louvre e minha obra preferida de lá, spoiler alert: não foi a Monalisa heh

Esse post faz parte da série Marinheira de Primeira Viagem, onde conto um pouquinho sobre meu planejamento e a viagem dos meus sonhos para a Europa (minha primeira viagem internacional, organizada de forma totalmente independente, praticamente um mochilão).

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19 Comments

  • Reply Tatiana Nais 4 de setembro de 2015 at 11:24

    Achei lindo o lugar pelas fotos e dei risada em pensar que os franceses não acham o lugar bonito – acho que é aquela coisa de costume também, sabe? Tô louca pro post sobre o Louvre, é um dos lugares que mais tenho vontade de conhecer. Beijo, Lí!

  • Reply jcarolinelira 4 de setembro de 2015 at 14:37

    Que linda essa basílica!! Sá crê quér é linda demais!! hahaha
    E Montemartre… lembrei na hora de Moulin Rouge!
    Lindas as fotos, e Paris mais uma vez não decepcionando com as vistas lindas né?
    Tá quase na hora do almoço e a foto do crepe me deu fome! hahaha http://deepluv.com/

  • Reply Jessica M 4 de setembro de 2015 at 18:17

    *—* Meu sonho é conhecer Paris, adoro viajar pelos posts alheios rsrsrs.
    Como assim eles acham a Basílica horrível??? O que têm na cabeça? kkk
    Paris sempre linda em todos os detalhes!
    Beijos

  • Reply Maíra Namba 4 de setembro de 2015 at 20:34

    o lado ruim pesa mais mesmo, eu tenho alguns arrependimentos exatamente por isso, por deixar o medo me dominar e não fazer.
    Obrigada Lívia, sério! eu já estou fazendo alguma coisa, comecei essa semana numa academia, to fazendo zumba, pilates e musculação, pra não deixar a mente escorregar ahaha e já vou entrei em contato com a minha piscóloga, pra retomar a terapia. Obrigada de verdade, sue comentário e dos outros me fez ver que sou forte e que sou capaz! Obrigada <3

    MEU DEUS que sonho! achei demais essa sua série de viagens, o meu sonho fazer isso, tenho muita vontade de pegar um mês e rodar alguns lugares pelo mundo, já estou devorando os posts, para ver tudo!
    e que lugar maravilhoso essa basílica, demais!
    e essa coisa de golpe, é foda né, eu tenho muita raiva sério, acho que a gente batalha tanto e aí um idiota vem e rouba, nossa isso me dá nos nervos ahahaha

    já to olhando todos os posts! ahahaha

    beijos :* http://japona.mairanamba.com

  • Reply K A H 5 de setembro de 2015 at 00:38

    Ai, eu já li em alguns blogs e em grupos de viajantes no facebook sobre esses golpes (que pelo que vi, são muito comuns na França e na Espanha) – além desse tem muitos outros, né? Li um sobre uma cigana que vem ler sua mão, outro de uma moeda que eles falam que caiu no chão, enfim… Incrível como as pessoas são criativas na hora de passar a perna nos outros, mas enfim… Que bom que deu tudo certo e que você não deixou de ir até lá, eu tb ficaria apreensiva, mas como você disse: se for pra não viver as coisas por medo, a gente nem sairia de casa, né?

    Adorei a vista (linda) e a igreja ser feita toda de mármore travertino é algo SURREAL de imaginar, hahaha.

  • Reply Mariana Morett 5 de setembro de 2015 at 16:10

    Sério mesmo que os franceses não gostam da Basílica? Enfim, como a Taty disse, talvez seja uma questão de costume mesmo.
    Tô dooooooida pelo post sobre o Louvre!

  • Reply Camila Mumic 6 de setembro de 2015 at 20:27

    Sabe que esse é um dos lugares que mais tenho vontade de conhecer em Paris? Parece ser tão lindo! Mas eu certamente pegaria o bondinho na subida também hahahaha.
    E o Louvre… Bem, tô ansiosa pra ler seu post!
    Um beijo, menina!
    http://acartavioleta.com.br

  • Reply patthyamaral 7 de setembro de 2015 at 19:59

    Eu faria exatamente o que você fizeram: subir de escada e descer de bondinho. (Por conta daquelas paradas de medo de altura e talz.) E, apesar de nunca ter visitado nenhuma das duas, sou do time Notre Dame de Paris.Aliás, pela igreja em si acho que a Notre Dame de Chartres também ganha. A Sainte-Chapelle também. (Tsc, meu coração é gótico, não tem jeito.) Mas a Sacre Coeur todo tem um contexto, a coisa de subir os degraus… A beleza de um lugar não é simplesmente estética, mas tem muito a ver com o que vivemos nele.
    Aprendi que medo da violência é algo muito idiota quando começa a me privar das coisas, porque fui assaltada a 2 quadras de casa e comecei a ter medo de colocar a cara pra fora.Lógico que a gente tenta não facilitar, mas não existe lugar 100% seguro, então a gente faz o que está ao nosso alcance (ficar de olho na bolsa, não dar mole com celular, não carregar nada de muito valor) e dá uns tapas na cara do medo. Um dia as outras duas mosqueteiras e eu passamos nuns lugares bem cabreiros em Sampa, perto do Solar da Marquesa de Santos. Foi meio tenso mas ainda bem que não desistimos, porque foi uma experiência incrível visitar o lugar. Com direito a música ambiente de cravo e tudo mais.

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:42

    Engraçado como estrangeiro tem uma visão diferente, né?

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:42

    Acredita que eu não assisti Moulin Rouge? Talvez se eu já tivesse visto eu teria curtido mais o bairro ^^

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:43

    O que mais gostei foram exatamente os detalhes, Jessica <3

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:44

    se quiser algum pitaco qdo for viajar, me avise 😉
    tbm tenho, Maíra. E daí a gente vê que lá, como cá, tem dessas coisas tbm…

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:45

    São mesmo, Kah. Bem comuns. Vimos o do anel e das moças pedindo assinaturas…

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:45

    Na real eles acham que a Basílica destoa do clima da cidade rs

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:50

    O duro é não poder tirar fotos lá dentro, senão vc ficaria ainda mais curiosa 🙂

  • Reply Livs 9 de setembro de 2015 at 15:51

    Aí, ó: não sabia que tinha Notre Dame em outro lugar que não Paris XD Aliás, preciso confirmar mas tenho quase certeza de que passamos pela Sainte-Chapelle e não demos bola…
    Não conheço essa área de Sampa, GG, mas já tô aqui imaginando o clima todo… é, vale a pena!

  • Reply Ana Carolina 11 de setembro de 2015 at 14:25

    Tb não quis conhecer o bairro todo, mas demos uma andada por lá porque fomos até a Champs Elisée à pé de lá, então passamos em frente ao Moulin Rouge e ao café da Amelie. Mas não entramos, não paramos, nem nada.
    A igreja é mesmo linda, a vista de lá é maravilhosa, vale a subida de cada degrau.

  • Reply Livs 14 de setembro de 2015 at 15:39

    Vc que me animou a ir, viu? rs quando te perguntei se foi muito trash sua ida vc acabou me acalmando sem querer heh

  • Reply Daniela Sousa 9 de julho de 2016 at 12:30

    Olá Lívia,
    Passei por esse golpe da escadaria Sacre Coeur mês passado mas não tinha lido nada a respeito dele. Colocaram no meu pulso, disseram que era presente, eu não tinha dinheiro e sugeri dar umas moedas, o ambulante me arrastou para o muro, abriu a carteira e queria me obrigar a dar à ele 5 euros. Eu falei que não tinha e subi correndo para igreja assustada.
    Na hora fiquei muito brava comigo mesma por ter me permitido cair nesse golpe. Mas logo me perdoei e fui curtir a igreja, mas depois disso eu fiquei esperta e soube me desvencilhar do golpe das ciganas em Florença e dos vendedores de rosas no parque Vila Borghese em Roma.
    Concordo com você, Sacre Coeur é muito mais linda que a Notre Dame. Pude tirar fotos lá dentro, porém sem flash.

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