Diário

20 dias sem carro: eu sobrevivi!

Eu adoro dirigir. Do fundo do coração. Quando estou atrás do volante, principalmente na estrada, me sinto livre e com um sentimento de que posso conquistar tudo o que eu bem entender (besta, né?). Mas nem sempre foi assim.

Até meus 20 e poucos anos, eu andei muito de ônibus e principalmente a pé. Minha mãe não dirige e meu pai nunca foi o maior entusiasta pra me levar ou ir me buscar nos lugares então sempre dependi de carona e das minhas próprias pernas.
Assim que fiz dezoito anos, tirei a CNH mas ela ficou largada no fundo de uma gaveta por aaaanos porque eu tinha medo. Aos poucos o medo foi diminuindo e consegui conquistar o tão sonhado primeiro carro.
Logo que comprei o Livsmóvel, em 2011, eu somente usava o carro de final de semana, quando realmente precisava (afinal, pra quê, né? o fretado passa super perto de casa e me deixa na porta da empresa, não era necessário). Inclusive meu pai sempre me disse que eu não deveria usar o carro pra ir trabalhar nenhuma vez porque depois que fosse de carro, não ia conseguir mais ir de ônibus. Dito e feito: desde a Copa de 2014 estava vindo de carro pro serviço every fucking day.

Até que li esse texto do 360 Meridianos, sobre a escolha de viver sem carro. O texto me fez pensar muito nos meus motivos pra tirar o carro da garagem todos os dias, na minha escolha de transporte pra vida. Essa reflexão me fez encarar muito melhor o desafio de passar esses 20 dias sem carro. Querem ver só?

Quem sabe não é minha chance de ter uma bicicleta, hein?

Quem sabe não é minha chance de ter uma bicicleta, hein? (fonte)

  1. Otimização do tempo das minhas atividades matinais. Acordo todo dia às 5h30 pra fazer tudo com calma mas mesmo planejando sair de casa no máximo às 6h20 (pra não enfrentar trânsito), às vezes eu acabava saindo 10 ou 15 minutos mais tarde e ficava brava porque as ruas já estavam tomadas. Basicamente por ir de carro e ter a facilidade de tirá-lo da garagem a hora que eu quisesse, eu demorava para levantar porque estava olhando o Instagram e levava mais tempo pra tomar café porque jogava Candy Crush enquanto isso. Agora, indo de fretado, eu simplesmente não posso perder hora, tenho que sair de casa pontualmente porque o ônibus não vai me esperar então tive que eliminar essas ~pequenas~ distrações das minhas manhãs.
  2. Livros, livros e mais livros. Neste último mês já li 4 livros e estou com mais um em andamento. Passo cerca de uma hora no trânsito diariamente (de carro eu reduziria para uns 45 minutos) então o que seria um tempo perdido está se transformando em um ganho incrível de conhecimento (aliás, aguardem: semana que vem vou postar um texto sobre dois livros muito bons que li sobre organização pessoal). Viram só como tô aprendendo bem a arte de transformar uma coisa ruim em algo bom? heh
  3. Sem estresse e nervoso com o trânsito todas as manhãs e todas as tardes. Ok, dá pra ligar uma música e tacar o foda-se mas nem sempre isso resolve. Sempre tem um apressadinho te fazendo pressão, um motoqueiro te ultrapassando pela direita ou gente buzinando porque você demorou meio milésimo de segundo pra avançar quando o semáforo ficou verde. Não tem como negar: trânsito é estressante, sim. Aliás, o Rafael nos fez lembrar deste vídeo do Pateta que exemplifica bem isso 😛
  4. Economia de combustível em tempos de crise. Vejam bem: usualmente eu dirigia diariamente 32,5km fazendo o trajeto casa – trabalho – parque – mercado – casa. Meu carro, na cidade com trânsito, faz cerca da 9km/l no Etanol que, aqui em Jundiaí, está custando por volta de R$2,45. Ou seja: em um mês gasto cerca de R$200 só em combustível. Acompanharam meu raciocínio? Posso muito bem continuar indo e vindo de fretado (sem gastar nada), aproveitar meu tempo de deslocamento pra leitura, pagar uma academia e ainda me sobrará pelo menos metade desse valor mensalmente.
  5. Não ferrar ainda mais com o ambiente. Fazendo uma comparação esdrúxula: se eu me preocupo com animais a ponto de não consumi-los como alimento, por que raios tô contribuindo pra poluir o planeta lindo em que não só eles como eu também vivo? Ainda tenho muito a aprender sobre assunto, mas logo abaixo vocês podem ver uma comparação que o Detran do RJ fez. Faz sentido deixar o carro em casa sempre que possível, né?
Panfleto sustentável - utilização de meios de transporte

Panfleto sustentável sobre a utilização de meios de transporte

Não que eu vá vender o meu carro e ficar sem, não vejo que nesse momento essa seria a melhor decisão pra mim, mas o que tirei de conclusão disso tudo é que mesmo depois que meu carro ficar pronto, eu não preciso tirá-lo da garagem para ir ao mercado que fica a dez minutos de caminhada da minha casa só pra comprar um pãozinho, entendem?

Estou disposta a fazer diferente. E nem é tão difícil assim, viu? Palavras de uma Maria Gasolina de primeira 😀

Um beijo!

Previous Post Next Post

You Might Also Like

6 Comments

  • Reply Rebeca Stiago 25 de novembro de 2015 at 08:07

    Oiii! Nossa aqui em Sydney é muito comum o uso das bikes. E elas são super respeitadas. No Brasil é um pouco triste, quem tem o hábito não é respeitado no trânsito e as bikes são roubadas (minha amiga já perdeu duas bikes). ;/ Mas acho suuuper válida a tua iniciativa! É claro que não podemos desapegar do carro pra sempre, mas precisamos sair da linha do conforto. Super parabéns. Beeeeijos

  • Reply Patthy 25 de novembro de 2015 at 12:18

    Carro é um “mal necessário”. [/clichê] O transporte público aqui no Brasil está longe de ser uma maravilha mas, tendo opção de ir direto, vale a reflexão sobre qual o grande ônus de ir de busão no fim das contas.
    Eu desenvolvi uma teoria sobre as reclamações acerca do trânsito. Aparentemente quem se utiliza de ônibus não tem muito direito de reclamar do trânsito, que quem sofre com isso de verdade são os motoristas de carro, afinal ônibus não vai pela rua e sim voando acima da cabeça de todos. HAHAHAHA Mas trânsito de fato é um saco, independente se você está no seu carro sozinho tendo que lidar com o desrespeito dos outros motoristas ou num ônibus espremido com outros passageiros. O X é que, dependendo de ônibus, você tende a sair mais cedo de casa – quando o fluxo não está tão ruim. De carro geralmente as pessoas saem mais em cima da hora. Não tem mistério, gente! heh
    Aí em Junds o etanol está R$2,45? Algo está muito errado porque aqui em Ribs – onde estamos cercados de canaviais por todos os lados – estava custando R$2,60 ou R$2,70 na última vez que prestei atenção, na última grande alta. Eu hein, que troço esquisito.
    Posso fazer uma observação: você disse que o panfleto era do Detran RJ, mas ali no canto está Detran RS. rs

  • Reply Isabele 26 de novembro de 2015 at 10:40

    Que legal essa sua atitude, Livs. Não podemos mesmo ficar dependentes das facilidades da vida moderna. Quando algo falha, a gente simplesmente não consegue mais se virar.

  • Reply Thay 26 de novembro de 2015 at 21:36

    Não dirijo, mas sei bem como o trânsito pode ser estressante só de ver meus pais nessa peleja. Por essas e outras que, apesar de que o transporte coletivo não ser uma maravilha, até que não acho ruim utilizá-lo para me locomover para ir trabalhar. Vou sentadinha (meu horário é mais tranquilo, e isso é ótimo) e lendo meus livrinhos com toda a paz do mundo. Não passo nervoso por ter que ficar ligada no vai e vem dos carros, economizo dinheiros com a gasolina que não gasto e não tenho que me preocupar com estacionamento. Bem melhor assim! Um beijo! ♥

  • Reply Manu 27 de novembro de 2015 at 20:34

    Sou bem parecida com você nesse negócio de carro, adoro dirigir! Mas, hoje em dia uso bem pouco. Faz 2 anos que me mudei pra perto do trabalho e foi uma das melhores coisas. Faço praticamente tudo a pé e acho ótimo. Ainda assim não consigo abrir mão do carro… Mas, as vantagens de conseguir se virar sem ele são muitas!
    bjs!! 🙂

  • Reply Tatiana 30 de novembro de 2015 at 13:40

    Não tirei carteira de motorista até hoje por pura preguiça, mas uma parte de mim tem muita vontade de conseguir ficar sem isso e ir dando um jeito, sabe? sempre vivi com carro porque sempre foi a realidade lá em casa e nunca aprendi a me virar de outra forma, mas as vezes gostaria de ter aprendido. Mas nunca é tarde, né? Quem sabe indo pra Curitiba é a hora de mudar isso e arrumar outras formas, né? Beijo, Lí!

  • Leave a Reply