Diário, Literatura

Vamos falar da Bienal do Livro de São Paulo?

E aconteceu entre nas últimas semanas  a 24ª edição Bienal do Livro de São Paulo. Trata-se de um evento organizado pela Câmara Brasileira do Livros desde 1970 que reúne um mundo de editoras e autores independentes expondo seus trabalhos para um público geralmente gigantesco (para esse ano espera-se de cerca de 700 mil visitantes). É uma delícia para quem é amante da leitura, como eu.
De minha parte, eu já havia ido em duas outras edições (2010 e 2014) mas a deste ano teve todo um gostinho especial para mim porque agora estou cada vez mais inserida nesse mundo, querendo conhecer cada dia mais um pouco do mundo da literatura (POR FAVOR, EDITORAS, ME CONTRATEM!).

Apesar do perrengue de 2014 (estava lotado demais, calor demais e desorganizado demais), já tinha combinado há muito tempo de que iria junto com a Kátia, então a grande surpresa foi ter a minha cunhada, a Camila, conosco, primeira vez dela em uma Bienal.
Fomos no sábado, dia 27, e foi maravilhoso! Como nos programamos com antecedência, deu para aproveitar bem as atrações do dia. (acabamos indo também no último dia da Bienal, ms conto mais sobre essa ~tragédia~no final do post)

Marcadores de página que ganhei na Bienal

O maravilhoso saldo de marcadores de livros, cartões e folders da Bienal. Adoro!

Chegamos no Anhembi por volta das 10h, horário de abertura do pavilhão. Dessa vez, optei por ir de carro, já que estávamos em três, o custo compensava e, convenhamos: é mais confortável. Não tive problema nenhum para estacionar (na sombra, inclusive). Como nossos ingressos já estavam comprados, fomos direto para a bilheteria e foi bem tranquilo, nem fila pegamos. (só para comparar, em 2014 enfrentamos muito sol e muita desorganização na bilheteria, então aprendemos nossa lição e pesamos que a taxa de conveniência valia e pena para evitar tudo isso, mas pelo que pude perceber, muita coisa melhorou desde então, viu? A bilheteria dessa vez estava dentro do pavilhão e ninguém ficou torrando no sol)

Os estandes estavam lindos. Gostei especialmente do estande da Novo Século (a música estava sensacional, inclusive) e do Grupo Autêntica. Já Camila ficou encantada com o da Madras. Não conseguimos entrar na Rocco (cheeeio!) e o da Intrínseca estava uma graça também.
Não faço questão de ir em estandes das livrarias/lojas grandes (Saraiva, Americanas, Submarino e até mesmo a Leitura) porque, né, isso eu posso fazer em outros momentos ou até mesmo online. Particularmente gosto mais daquelas que não tenho acesso tão fácil, entende?

Depois de passear por cada um dos corredores do pavilhão do Anhembi e almoçar um crepe de banana com canela delicioso (e inflacionado), rumei para o Edições SESC, local em que às 16h teria o Laboratório Booktuber com a Tatiana Feltrin. Como só seriam distribuídas 60 senhas e eu queria muito participar, fiquei cerca de 1h30 sentadinha na fila (I regret nothing! Foi um alívio poder descansar depois de andar MUITO), só esperando.
Eu não era de acompanhar nenhum canal no Youtube – até conhecer o TLT, da Tati. As críticas dela são incrivelmente bem embasadas, ela fala com propriedade dos livros que leu, sem se tornar arrogante por conta do conhecimento que tem.

Se você quiser conhecer o canal da Tati, gosto muito do vídeo sobre 50 Tons de Cinza e um do VEDA sobre o mercado editorial.

O interessante foi ver que eu era mais velha do que pelo menos 2/3 do público que estava na fila =B De qualquer forma, foi muito bom o bate-papo, que foi intermediado pelo Wellington Andrade, crítico literário da revista Cult.

Tati Feltrin na Bienal

Laboratório booktubers com a Tatiana Feltrin no espaço do SESC. Uma delícia!

A interação com o público foi muito bacana. Um dos temas abordados foi o preconceito literário e a invasão de livros de youtubers (minha opinião: tudo que incentiva alguém a iniciar-se na leitura é super válido, eu já li muito romance de banca de revista), além da canseira que dá nos leitores quando muitas obras com um mesmo assunto são lançadas (exemplo: vampiros na última década e distopias mais recentemente).
Foi muito válido e pude perceber que até mesmo as meninas que foram comigo e não faziam ideia de quem era a Tati saíram de lá com vontade de conhecer o canal.

Depois desse encontro delicioso, parti para o momento que talvez mais tenha me marcado: sessão de autógrafos do Pedro Bandeira.
O estande da Editora Moderna era bem ao lado de onde estávamos e vimos que a fila estava relativamente pequena. Eu já tinha levado na minha bolsa o livro “Minha Primeira Paixão”, o qual começou a ser escrito pela Elenice Machado, que faleceu durante o desenvolvimento a obra, tendo sido o Pedro Bandeira o incumbido para finalizar (lindamente) a história.
Talvez você, leitor mais novo, não tenha vivido as histórias dele como eu vivi, com “O Primeiro Amor de Laurinha” e “Minha Primeira Paixão”, ou como a Kátia viveu com “A Droga da Obediência” e “A Droga do Amor”. Mas é um autor que influenciou muito quem nasceu nos anos 80 e 90, tenho certeza de que muita gente pegou gosto pela leitura através das obras dele.

Esperamos por cerca de meia hora e a emoção foi crescendo. Quando estava quase na nossa vez, umas moças que estavam na nossa frente se emocionaram muito e foi difícil demais segurar as lágrimas.
Inclusive depois veio uma mulher com dificuldades de locomoção, o que fez o “vô” Pedro (no auge dos seus quase 80 anos), sair da mesinha para dar um abraço nela, o que a fez chorar demais. E foi aí que aconteceu uma das coisas mais bonitas: o autor responsável por muita gente ser iniciada na leitura tirou um lenço do bolso e enxugou as lágrimas dela… foi a coisa mais linda do mundo! <3

Sessão de autógrafos do pedro Bandeira no estande da Editora Moderna

Eu toda emocionada, autógrafo lindo do Pedro Bandeira e as duas versões do mesmo livro (a mais nova é da Kátia)

Não imaginava, de verdade, o que ele significava para mim até está lá, boba, recebendo um abraço delicioso dele (como vocês podem ver nas fotos). Foi a realização de um sonho que eu nem sabia que tinha! Saí de lá com vontade de reler tudo que li quando era criança e que me fez ter gosto pelos livros.
Essa é uma das delícias da Bienal, despertar o saudosismo e o entusiasmo pela leitura.

Participei de um sorteio delicinha organizado pela Novo Século (que está com um selo geek novo maravilhoso, o Geektopia) e não é que ganhei um par de ingressos para o último fim de semana? Claro que lá fui eu com a Kátia de novo! Mas se no primeiro sábado conseguimos tranquilamente pelos corredores da Bienal, não foi o que ocorreu no domingo (dia 04/09).

Aliás, obrigada, Catiane, sua linda <3 Primeiro a leitura exclusiva pré-lançamento de Carry On e agora ingresso na faixa para um evento maravilhoso, sei nem como agradecer, de verdade!

Estávamos querendo ir principalmente para comprar um livro de um escritor “quase” novato que nos conquistou pela sinopse: “O Deserto dos Meus Olhos”, do Leon Idris. Uma amiga dele nos abordou no sábado e deu super certo o merchã dela. Aliás, este foi o único livro que comprei no evento 🙂

O Deserto dos Meus Olhos, de Leon Idris. A história parece ser ótima! Quando terminar, volto aqui para recomendar.

O Deserto dos Meus Olhos, de Leon Idris. A história parece ser ótima! Quando terminar, volto aqui para recomendar.

A grande questão é que mal dava pra andar naquele lugar. Estava um inferno. Ficamos por volta de 2h por lá porque não tinha condição de “curtir” (além de eu estar SUPER cansada do show maravilhoso do Scorpions no dia anterior – sim, contarei em detalhes!) e na hora de ir embora houve um desrespeito tão grande da organização que manchou um pouco a experiência incrível que eu havia tido no sábado anterior.

Havia uma fila gigante – mas organizada – para pegar o transfer gratuito para os terminais rodoviários. Estávamos lá, de boa, quando um funcionário nos mandou mudar a fila para outro lugar. Ok, obedecemos. Minutos depois, vem outro funcionário berrando que estávamos errados e perguntando quem tinha nos mandado ficar ali. Foi aí que um começou a discutir com o outro e um deles começou a discutir com o pessoal da fila. Fomos tratados igual animais, sem respeito algum. E foi totalmente desnecessário, pois não havia confusão alguma – fora a que eles mesmos fizeram. Decepcionante (mas vou tentar enxergar como um ponto isolado para uma experiência tão boa).

#somostodasrainhas

#somostodasrainhas
Com a habitual companheira de idas a São Paulo <3

Enfim, apesar dos percalços, estar em um lugar desses é incrível. É gente demais, sim, mas é gente demais que ama as mesmas coisas que você, entende? Ver aquela multidão de molecada enlouquecida por livros me dá uma esperança tão gostosa e só consigo dizer o quanto vale a pena tudo isso.

Espero ter te convencido a ir a uma Bienal do Livro! Quem sabe não nos vemos na de 2018, quando eu estiver trabalhando em alguma editora, não? *-*

Um beijo!

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3 Comments

  • Reply Renata 13 de setembro de 2016 at 23:15

    Meu sonho é ir em alguma Bienal, seja de SP ou do Rio. Eu fiquei boquiaberta com o stand da Rocco e acompanhei toda montagem do da Intrínseca.
    Se eu tivesse a oportunidade de conhecer o Pedro, eu levaria o meu “A marca de uma lágrima”. Foi um livro que me marcou muito quando eu comecei a tomar gosto pela leitura.
    Que bom que você gostou. Quem sabe eu não vou numa próxima e a gente marca encontro de blogueiras?
    ;*

  • Reply Bela 9 de outubro de 2016 at 05:58

    Só de ver sua emoção com o Pedro Bandeira, me deu um friozinho na barriga porque minha primeira série de livros preferida era dele. Adivinha? Dogra da Obediência, claro! E o engraçado é que achei os pfds e tava lendo mês passado. Que saudades gostosa daquela época e dos meus livros que ficaram no BR HSIUAHUISHA <3
    Eu fui em 3 Bienais até agora e percebi que é muito bom pra conseguir uns freebies, caçar lançamentos e se conseguir, conhecer escritores que gosta mas pra comprar livro… Em sua maioria, tudo caro. Mas como você acaba juntando grana pra usar lá, se empolga -tipo eu no estande da panini, sempre D:
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  • Reply Talita Santana 21 de novembro de 2016 at 20:59

    Oi, tudo bem?

    Amei seu post sobre a bienal. Quero muito ir na Bienal de SP, só fui uma vez na do Rio, e confesso que me encantei por toda a atmosfera do local. Mas infelizmente ainda não tive a oportunidade de ir na de SP.

    Beijos

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