Diário, Música

Sobre demoras de uma década e sonhos que não envelhecem

Antes de mais nada, eu preciso contextualizar vocês, ok? Adoro contextualizar, me deixa. E eu sou extremamente verborrágica, então vocês devem ler umas 800 palavras antes de eu chegar no assunto do post, já aviso.

No início dos anos 2000 a internet não existia dessa forma incrível que existe hoje. Nós ainda estávamos descobrindo o mundo maravilhoso da web e o conteúdo ainda era bastante limitado ao dinheiro que você tinha pra torrar em pulsos da internet discada, por exemplo =B. Não existia YouTube com seus vídeos relacionados, nem Spotify com a descoberta da semana. Era bastante comum que as músicas novas que descobríamos, seria ouvindo rádio, em trilhas sonoras de filmes e novelas ou no Disk MTV.

Disk MTV

Disk MTV, sua fonte de clipes na época em que não existia YouTube 🙂

Neste último caso era bem fácil saber de quem era o hit do momento: era só você ter tido sorte de estar em frente à TV antes da música começar ou esperar até o final que era certeza de que os dados da música apareceriam. Já no caso de uma música que tocou em um capítulo de uma novela, era um parto descobrir quem cantava ou o nome da faixa: simplesmente não existia Shazam e, sendo assim, a gente tinha que se valer do listening, anotar um trecho da música, jogar no Cadê? e torcer para ter algum resultado (principalmente quando se tinha um inglês bem basicão como o meu era).

Ou alguém fazia diferente? Tinha um jeito mais fácil e eu não sabia? (não me conter, pfvr!) (ah, me contem sim!)

Aliás, uma fonte praticamente inesgotável de músicas rock melosinhas que eu tanto gostava naquela época era, sem sombra de dúvidas, a novela Malhação. Foi através da novelinha da Globo, principalmente nas temporadas entre os anos 2000 e 2003, que eu descobri “Miss You Love” do Silverchair, “Quando Eu Te Encontrar” do Biquini Cavadão, “Away From the Sun” do 3 Doors Down e tantas outras músicas que estão na minha playlist até hoje.

E era mágico quando a gente conseguia encontrar a música em questão (era quase como um match no Tinder, juro). Aí vinha a etapa de colocar no Word a letra em inglês de um lado e tradução do outro, com a fonte (Comic Sans, claro) toda cor-de-rosa, imprimir e distribuir pra coleguinhas no colégio. Isso quando esse trabalho todo já não tinha sido feito por alguma editora da Atrevida de coração bom, que em meados dos anos 2000 publicava na revista a letra de um hit teen da época.
Inclusive só agora cheguei exatamente na parte da história que interessa para este post, vejam só.
Nessa mesma época, a prima top mais rica e mais famosa da Atrevida revista, nossa querida Capricho, publicava ~quotes~ no rodapé das páginas iniciais (que eram recortados sem dó e colados em nossas agendas)
E foi em um desses rodapés que li a seguinte frase:

No meu coração estão as memórias do amor perfeito que você deu pra mim, oh, eu me lembro. (Creed)

Só sei que amei aquela citação do que parecia ser o trecho de uma música. Era emo na medida e dava aquele aperto no peito que só um adolescente com o coração despedaçado sabe como é… Mas pensem que se com um trecho da letra em inglês já era difícil de encontrar a música, imagina então só tendo a tradução! Hoje não consigo mais me lembrar como consegui descobrir que essa música era “My Sacrifice” do Creed (provavelmente levei para a minha professora de inglês do colégio e ela me deu uma tradução aproximada), mas sei que foi a partir dessa frase que eu comecei a ouvir Creed. Dia e noite, noite e dia.

Em uma das minhas muitas idas à São Paulo, comprei um CD pirata com os greatest hits deles e depois um amigo do grupo de música me gravou o Weathered. Ouvia o tempo todo estando em casa. Não só eu decorei as letras no meu inglês tupiniquim, como minha mãe decorou a ordem das músicas e até mesmo a segunda voz em “Don’t Stop Dancing”.

Mas eu nunca tive a esperança de vê-los ao vivo.

Primeiro que a prioridade financeira naquela época era pagar meu colégio e as inscrições pros vestibulares. Segundo que eu não tinha companhia. E terceiro que mesmo que eu guardasse o dinheiro dos templates que eu fazia e decidisse ir sozinha, só de pensar no transtorno que seria pedir pro meu pai me levar/buscar, eu desistia.
É estranho eu ter colocado que foi a realização de um item da minha wishlist porque, sabe, eu nem chegava a cogitar incluir algo assim na minha humilde listinha (que incluía ganhar um mp3 player, por exemplo). Hoje eu sei que é possível realizar algo assim (cacete, eu fui pra Paris, não fui?), mas há mais de dez anos, era, de fato, impossível.

A questão é que o tempo passou e eu sofri calada sem eu nem lembrar mais da existência da banda, até que em outubro desse ano descobri que o Scott Stapp, “a voz do Creed” (sic), viria para um show único em São Paulo. Pirei, né? Já tirei print, mandei pra Kátia e comprei os ingressos. Dane-se que seria em uma quarta-feira e eu trabalharia no dia seguinte. E daí que seria em um lugar com o slogan “forró eletrônico em clima de paquera”, não é mesmo? (sim, migos)

Só sei que fui.

E foi incrível!

Scott Stapp e banda com bandeira do Brasil 2016

Coisa mais linda <3

Não sei dizer se foi a nostalgia, o clima da apresentação ou uma mistura de ambos mas eu me senti de novo com 16 anos. E é nesse tipo de momento que faz valer a ideia de que sonhos não envelhecem.
O show, que aconteceu no dia 14/12, no Tropical Butantã (muito ajeitadinho, por sinal, ao contrário do que imaginei pelo slogan) era para ser da turnê solo do Scott Stapp mas ele tocou somente músicas do Creed e eu jamais reclamaria disso!

Teve de tudo. Teve música pesada, teve música suave, teve “Inside Us All” (que eu não esperava!) e teve, principalmente, braço arrepiando de emoção. Eu nunca ia imaginar estar tão perto do Scott *bochechudo* Stapp. Nunca pensei que ficaria rouca de tanto cantar junto com a voz rouca desse ser (e, por favor, não venham me torrar o saco falando de Pearl Jam, grata. Sei que o Eddie Vedder veio primeiro, etc). O cara é sensacional, extremamente performático, curtindo estar ali e recebendo o carinho gigante dos fãs de décadas.

Setlist turnê Proof of Life, Scott Stapp

A única alteração foi “Don’t Stop Dancing” após “Higher”, se não estou enganada (mas posso estar)

Fica aqui registrado que todas as músicas foram awesome, até as que eu não conhecia a letra completamente. Mas que o quarteto que embalou minhas tardes pós-Malhação foram as melhores, não tem como:

  • “Higher” (porque a letra é incrível, apenas, sem mais)
  • “With Arms Wide Open” (socorro, quero ver o amor de Júlia e Pedro tudo de novo, morri lembrando, socorro)
  • “One Last Breath” (que eu vi o clipe só umas 93 vezes na MTV e cujo solo de guitarra no comecinho me deixou extasiada)
  • “My Sacrifice” (que além de ser a protagonista da historinha do começo do post, foi a primeira música que aprendi em inglês ~certinho~, junto com “Wherever You Will Go”), que foi justo o encerramento de uma noite fantástica.

Eu sei que nem todo mundo pode se dar ao direito de gastar uma grana bacana em um show, mas se você puder, não pense duas vezes. Shows e viagens estão do meu top de gastos que valem a pena porque dizem a respeito de gastar com algo para viver e não para ter. E sobre realizar sonhos de adolescente, se eles ainda fizerem sentido pra você, ó, MUITO recomendo! Mais uma loucurinha com o selo Livoneta de aprovação 😀

Scott Stapp no Tropical Butantã Brasil 2016

Devo dizer que lá pela quarta ou quinta música ele já estava pingando heh

Ficha técnica

Quem? Scott Stapp, “a voz do Creed”, Turnê Proof of Life
Quando? 14/12/2016
Onde? Tropical Butantã (São Paulo, SP)Dicona: se algum dia for em algum show nessa casa, lembre de que eles não tem estacionamento próprio, mas na redondeza vimos alguns cobrando R$25 até o final do show. Acabamos parando em um bem na saída que era R$40 mas achei mais ajeitadinho e os caras foram mais educados (além de me entregarem um cartão com e-mail e celular do estacionamento, caso desse alguma cagada)
Quanto? +-R$140 (meia pista comum, já com conveniência). Dicona: não achei que valeria a pena ter comprado o camarote, ficava bem longe do palco e na pista a visão era excelente, além de ter ar-condicionado e tal, bem confortável. (não como um Citibank Hall, mas pelo preço foi sensacional)
Duração? 1h4o

Minha próxima parada nessa wishlist maluca da Lilika adolescente é ver um jogo do Kaká, já vou logo falando 😛 aguardem novos capítulos dessa saga que já dura 15 anos
Inclusive isso podia virar uma série, não? heh

Agora é sua vez: me conte algo que você queria muito realizar quando ~jovenzinho~ mas não pôde e que morre de vontade de realizar ~depois de grande~, valendo!

Um beijo!

P.S.: sempre me surpreendo com a minha capacidade de lembrar detalhes mínimos da minha vida e das minhas experiências até, sei lá, meus 18 anos, mas minha terceira década de vida ser quase um borrão de tão pouco que me lembro.
P.S.²: Dizem por aí que o The Calling voltou. Ai, meu Deus, lá vou eu chorar ao som de “so lately, been wondering, who will be there to take my place?”

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2 Comments

  • Reply Nary 23 de dezembro de 2016 at 10:38

    Meu sonho adolescente era ver o Backstreet Boys ao vivo e depois de 16 anos eu vi ano passado, entendo totalmente como foi a sua sensação, é maravilhoso né! <3

  • Reply Mariany Gomes 5 de janeiro de 2017 at 00:36

    Lívia do céu, que post deliciosooooo de ser lido. Hahahahahha! Nossa senhora da nostalgia, a temporada inteira de Malhação com Júlia e Pedro passou todinha pela minha cabeça <3 Também quero de novo =( Passou no canal Viva um tempo desses, mas eu tava trabalhando e não assisti.
    Bom, apesar de gostar muito da música tema do casal, do Creed, eu não era fã da banda. Minha parada na época era mais Nickelback, Evanescence e Avril Lavigne (desculpa, mas ela me fez ser quem eu sou hoje ^^). Não, mas sério, essas bandas foram formadoras de caráter, essas bandas construíram a nossa personalidade. Nós não seríamos nada sem elas.
    Tenho muita pena dessa nova geração que JAMAIS saberá o que é emoção de verdade, o que é torcer para o clipe do seu ídolo chegar a primeira posição do Top 10 MTV. Apesar dos perrengues, isso sim era vida. Hahahahahha!
    Amo show! Apesar de ir em pouquíssimos. O primeiro da vida foi o da Eliana. Hahahaha! Eu tinha 8 anos. Depois foi Sandy e Junior, de graça, milhares e milhares de pessoas. Eu, minha amiga e nossas mães enlouquecidas com a ideia de jerico que a gente ter de ir nesse show. Mas a gente tinha que ir, ora bolas.
    Depois passei o dia inteiro na fila (das 10 da manhã às 21:oo) pra ver RBD (é, miga, eu era fã número 1 do grupo e não poderia perder a oportunidade hahahahaha! não me arrependo nem me envergonho, faz parte, a gente tem que ser feliz).
    Perdi a oportunidade de ver The Calling e Black eyed peas por pura burrice e não me perdoarei jamais.
    Enfim…
    É claro que tive que clicar no link pra Wherever You Will Go e uma lagriminha escorreu, pois saudades, muitas saudades.

    Amei, beijos!

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