Diário, Música

Quem não desiste, tudo consegue

Ou (spoiler alert)Como foi conversar pessoalmente com meu crush famoso da adolescência.

Talvez você nunca tenha comprado uma revista por uma reportagem com seu cantor favorito e nem tenha gasto toda a tinta colorida de impressora do seu pai imprimindo fotos de seus ídolos. Talvez você nunca tenha tido sequer uma pasta com recortes e lembranças daquele artista em especial. Mas mais do que isso: talvez você nunca tenha sido fã de alguém. I feel sorry for you.

(e talvez por isso ache o post extremamente chato, etc e tal. beijos de luz)
(vai ser longo, sim. e se reclamar, posto outra vez)

Início dos anos 2000, internet discada, Yahoo! Grupos e o auge das boy bands. Eu estava prestes a completar 13 anos, idade em que eu oficialmente deixaria de ser criança e me tornaria pré-adolescente (na minha cabeça era assim que funcionava), quando vi o Gugu anunciar na TV a mais nova boy band brasileira, Twister. Eu pirei na hora! A música que tocaram (playback, claro) falava sobre um amor que dava 40 graus de febre e queimava pra valer (pra valeeeer), com uma dança sensacional de brinde (só que não, vergonha alheia detected). Engraçado que os vocais deles eram subestimados e os caras realmente eram bons!

Clipe de "40 Graus", Twister, 2000

“Meu amor, esse amor dá 40 graus de febre. Queima pra valer, queima pra valeeeer. É assim como o sol derretendo toda neve dentro de você, dentro de você.” (rimas ricas: não trabalhamos)

Um dos integrantes do quarteto era um cabeludinho bem do bonitinho. Eu gostava de cabeludinhos (barba está para os jovens de hoje como cabelo comprido estava para a juventude dos anos 90 e 00). Leonardo era o nome dele. Leo. Se dizia romântico, tocava baixo e era uma graça. Influências do rock, tinha uma banda de metal, se não me engano. Eu o enxergava como o roqueiro da banda pop chiclete (e acertei). Ouvi “Tears of the Dragon” pela primeira vez porque tinha lido que era a música preferida dele. Foi assim que nasceu a Lilika fangirl.

Twister nos anos 2000 (Leo, Gilson, Luciano, Sander e Alex)

Twister nos anos 2000 (Leo, Gilson, Luciano, Sander e Alex)

Assistia a todos os programas em que eles estavam. Gravava alguns em VHS que hoje nem sei mais onde estão (e nem se funcionam). Discutia com quem os comparava com o KLBosta (dsclp, haters gonna hate). Minha maior tristeza é que não existia YouTube naquela época e as informações na internet eram escassas. Para saber da agenda de shows eu dependia da mídia impressa (e esse foi um dos motivos de nunca ter conseguido ir em um show deles “de verdade”).
O tempo passou, outras músicas foram lançadas, eles fizeram carreira internacional (com músicas em espanhol maravilhosas! não tem jeito: amo a sonoridade da língua espanhola para músicas), abriram show do *NSYNC, inclusive, e eu sem nunca ter conseguido sequer vê-los ao vivo.

Pasta de recortes do grupo Twister

Haja dinheiro gasto em banca de jornal! Haja parede marcada de fita adesiva de tanto pregar e despregar os posteres…

Foi então que em meados de 2002 começou todo um burburinho sobre o lançamento de um novo álbum, “Mochila e Guitarra no Avião” (meu Deus, eu amo esse nome!), mais autoral e maduro. Haveria composições deles, sendo que o primeiro single, diziam, era meio autobiográfico, escrito pelo Léo. E foi assim que eu assisti Disk MTV por semanas e vi “Um Beijo Seu” nas paradas todos os dias (juntamente com Creed e The Calling). Eu me identificava mais com esse novo Twister, eu queria ser amiga deles, eu queria falar da vida com eles, dizer que eu passava por aquilo também.

Liguei nas lojas de Jundiaí atrás do álbum (e eu odeio falar ao telefone) e foi emocionante quando o consegui. Tirando algumas músicas bem meia-boca (estou falando de “Site do Amor”, sim), era daquilo que eu gostava!
Por conta da divulgação do novo trabalho, houve várias entrevistas nas rádios (sempre em São Paulo). Fiquei sabendo que estariam na Rádio Sucesso e não me lembro bem como mas mandei um e-mail para o locutor dizendo que eu tinha 14 anos, morava em Jundiaí e era apaixonada pelo Leo. Para minha imensa surpresa e emoção, ele leu o e-mail no ar e uma das frases mais marcantes da minha adolescência foi dita: “Lívia, um beijão pra você querida!<3 <3 <3 (ainda bem que eu estava gravando em uma fita K7, que tenho até hoje)

Minhas preciosidades de adolescente

Alguns dos meus bens mais preciosos quando adolescente: os tres CDs (com encartes encardidos e rasgados), camiseta, bottom, foto da apresentação no Hopi Hari e a fita com a gravação da Rádio Sucesso em que o Leo me mandou um beijo.

Por volta dessa mesma época, aconteceu a entrega do Meus Prêmios Nick (uma espécia de VMB da Nickelodeon), no Hopi Hari. Uma prima minha trabalhava lá, conseguiu a informação de que o Twister se apresentaria e arranjou os ingressos. Minha mãe me deu a notícia me entregando nossa câmera Yashika e um filme de 36 poses. Nunca tinha ficado tão agradecida!

Meus Prêmios Nick, 2002, no Hopi Hari

(foto da foto, sorry) Rê (à esquerda) e eu, no Hopi Hari, em 2002, com 14 anos, óculos e chocker 😀

Vesti minha camiseta e meu boné do fã-clube e vivi algo maravilhoso demais para explicar. Tudo isso junto com a minha prima Rê, que era fã do Sander. Foram só algumas músicas cantadas mas valeu cada segundo debaixo daquele sol escaldante.
Eu chorava enlouquecidamente segurando um coração vermelho gigante com “Leo, eu te amo” escrito às pressas. E ele, do palco, apontou pra mim e fez gestos para que eu não chorasse mais, ownti. (isso inclusive foi mostrado na TV ao vivo e eu queria demais essa gravação heh) Tentei muito convencer os seguranças mas não consegui ir conhecê-los. Uma pena porque algum tempo depois foi anunciado o fim da banda (primeiro porque a gravadora Abril fechou e segundo porque o Sander foi preso, ops).

E eu fiquei sem conhecê-los.

“Esqueci” disso por anos. A vontade ficou guardada no fundo da gaveta, junto das minhas pastas de recortes.

Em 2013 rolou um revival (adoro o entrevistador falando: “nossa, e não é que vocês cantam bem mesmo?” heh), com um show em São Paulo. Mas apesar de ter o meu carro e relativa independência, eu não tive coragem de ir sozinha e não tinha aprovação de ninguém para isso (família, namorado da época, etc). Pior sensação do mundo saber que eu tinha perdido de novo.

Retorno Twister, 2013

O retorno em 2013 que não vi de perto 🙁

Mas foi então que, depois de 15 anos daquela única vez em que cheguei realmente perto deles, descobri pelo Instagram que o Leo estava tocando e cantando na banda Big Foot, que toca rock e pop rock em bares de São Paulo e região. Acompanhei e esperei, esperei e esperei até ver o anúncio de que eles estariam no Yellow Pubmarine, aqui em Jundiaí. Dessa vez eu não poderia perder… e não perdi!
E veio toda aquela emoção junto… Foi como se o sonho ainda estivesse ali guardadinho, só esperando uma chance.

Parabéns por ter chego até aqui 🙂 agora começa o relato de verdade, vem!

Minha companheira oficial de shows e barzinhos é a Kátia mas, né, tá em Sydney (toda chique). Convidei o namorado, ele disse que até iria pra me agradar, mas achava que seria mais legal (pra mim) eu ir com a minha mãe. E assim foi então!

Banda Big Foot no Yellow Pubmarine

Banda Big Foot no Yellow Pubmarine (o Leo é o da direita)

Chegamos no Yellow cedo porque mas nem morta eu queria perder a chance de ficar bem perto do palco (oi, Lívia, é um pub, tamanho mínimo, não tinha como ficar longe, bem).

Banda Big Foot no Yellow Pubmarine

Só observando… /stalker

Em algum tempo começou toda uma movimentação no palco e eu vi meu ídolo da adolescência montando o contrabaixo dele ali, bem na minha frente. Tremi na base. Ele estava igualzinho eu me lembrava! Logo em seguida, ele sentou em uma mesa atrás da nossa enquanto tomava uma Heineken (minha escolha para aquela noite também). Por mais que a vontade de ir falar com ele fosse enlouquecedora, não achei o momento ideal.

Depois, fui ao banheiro despretensiosamente e dei de cara com ele sentado lá no fundo do bar, estava falando no celular. Novamente não consegui interromper (mas consegui sorrir ao menos, veja só!).

Neste momento vou apenas citar um tweet da GG para mim (e concordar com ela que sou o segundo caso):

Pensem que eu mal conseguia olhar para ele. E se me entender errado? E se ele achar que sou uma maria-palheta? Inevitável que hoje eu tenha um senso de respeito muito diferente do que tinha com 14 anos, né?

Ouvi besteira (poucas, ainda bem) por ter ido “ver hómi” e largado meu namorado em casa. Quem conhece de verdade nosso relacionamento não poderia duvidar por um segundo que o recado dele pra mim foi que se eu não tirasse foto com o Leo, eu iria ouvir um monte dele quando nos víssemos 😉

Enfim, o show começou e deu um puta dum frio na barriga ao ouvir outra vez aquela voz tão conhecida por mim. Mas fui me soltando ao longo do set. Eu estava ali pra isso, porra. Pra cantar junto, fazer a mãozinha do rock, dar gritinhos e tudo mais, não é mesmo?
Infelizmente ele não é o lead singer, mas cantou sozinho várias músicas incríveis, como “Never There” (Cake), “Should I Stay Or Should I Go” (The Clash), “Exagerado” (Cazuza), “Enjoy the Silence” (Depeche Mode) e “Será” (Legião Urbana – tem no meu Instagram um trechinho).

Leo, com a banda Big Foot no Yellow Pubmarine

Engraçado que pra mim ele continua igualzinho! (e eu não tinha noção da simpatia e gentileza dele)

A grande maravilha foi que a minha amiga Ju (KLBista rs) chegou e ela é total entusiasta do “tá com medo? vai com medo mesmo!”, tudo o que eu precisava, diga-se de passagem. Eis que no intervalo, resolvemos ir ao banheiro enquanto minha mãe ficaria na mesa. Até então eu ainda não tinha achado o momento para ir lá tirar uma foto (que droga isso de a gente ficar esperando até o último segundo, né?). Quando chegamos de volta na mesa, minha mãe estava com os olhos arregalados e foi logo contando:

– Filha! Você não sabe quem veio aqui, pegou na minha mão e me cumprimentou com um beijo: Leozinho! – sim, desse jeitinho mesmo – Achei que você fosse ficar brava comigo, mas tive que contar pra ele da fita K7, não briga comigo! Ele disse que depois ele passa aqui pra falar com você… Ai, filha, ele é TÃO educado, TÃO gentil! Você tinha razão em gostar dele.

GELEI. Justo eu, que não queria pagar de fangirl de jeito nenhum, tive uma mãe toda trabalhada na tietagem. Mas no final das contas eu achei ótimo porque ela quebrou o gelo inicial, minha maior dificuldade. E já que eu estava ali., me entreguei a mais um chope e bora lá curtir o resto da apresentação então! (eu, que estava quase arrependida de tê-la levado comigo porque ela ficava ameaçando ir falar com ele, fiquei extremamente grata por toda a desenvoltura que eu não tenho… inclusive: minha mãe <3)

No final da segunda parte do set, a Ju e o segundo chope me ajudou a tomar a coragem que faltava e lá fomos nós porque mas nem morta que eu ia aguentar esperar mais ou sair dali sem ter falado com ele.
AHHHH! Que delícia quando acontece algo que você deseja há muito tempo e a realidade é ainda melhor! O Leo foi extremamente simpático e gentil, um gentleman. Sabe aquele sentimento de que apostei minhas fichas certo? Ele agradeceu o carinho ao longo desses anos, tirou as várias fotos que batemos e conversou de verdade conosco. Eu tremia, claro. Nesse momento a Lívia de 30 anos saiu para tomar um ar e deixou a Lilika de 14 tomando conta da situação. (olha o perigo)

Leo e eu, no Yellow Pubmarine

Momento: “eu não acredito que isso tá acontecendo!”

Ainda saí de lá na espera de uma nova apresentação em novembro (vou querer parabéns, sim!) e com a certeza de que na próxima eu mando pelo garçom um guardanapo escrito: “toca 40 graus” <3

Repito o que disse no post sobre o show do Scott Stapp: sonhos não envelhecem. Se você tem algo que lá no fundo você queira muito realizar, por mais bobo e infantil que seja, se possível, realize. Tem acontecimentos que quando vividos com a maturidade adquirida através dos anos fazem muito mais sentido. Se tudo isso acontecesse há 15 anos, eu não daria valor às mesmas coisas que dei agora. Eu não teria curtido tanto assim…

Foi uma delícia me sentir adolescente de novo e ter pessoas incríveis do meu lado pra compartilhar isso e outras tão incríveis quanto torcendo por mim do outro lado da tela do celular. Obrigada, gente! Era algo que eu não imaginava mais que fosse acontecer mas como a maioria das coisas boas que já me aconteceram na vida, veio assim, meio sem querer, de mansinho… e valeu demais!

Leo e eu, no Yellow Pubmarine

Mais uma porque, né, esperei “só” 15 anos… E, por favor, reparem na tatuagem na mão: 40 graus <3

Vamos agora aguardar qual será o próximo passo da série “sonhos de adolescente” heh (aposto em dar um abraço no Giba, ver um jogo do Kaká e depois conhecer o muro que o Pacey aluga pra Joey em Dawson’s Creek)

Um beijo,
Lilika
Lívia

P.S.¹: o título vem de um trecho da música “Se Um Dia Eu Tiver Você” (que eu detesto porque não gosto da voz do Gilson, dsclp) e acho que cabe bem para o acontecido 🙂
P.S.²: se você leu tudo isso e não faz ideia de quem era Twister, aqui tem um resumo até que bacaninha (em vídeo).
P.S.³: o mais engraçado é pensar que tenho amigas lendo esse texto que nem tinham nascido no ano 2000 😀

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4 Comments

  • Reply Renata 28 de agosto de 2017 at 21:56

    LIVIA DO CÉU!!!!
    Vi seus tweets esses dias, mas como tô tão off de lá não entendi muito bem e olha, fico feliz de vc ter realizado seu sonho.
    Eu sou cara de pau quando fala de artista. Como moro numa cidade que o povo quase não vem, eu não perco a oportunidade. Já mandei um táxi seguir uma van, já gazeei aula, já saí correndo de casa pro hotel (quando eu morava no centro, perto de um – e foi pra ver o KLB)… já fui depois do show pra aeroporto, hotel… enfim, fiz n loucuras e assim consegui conhecer alguns dos artistas que eu mais tinha vontade de conhecer (inclua a banda Simple Plan quase toda. Quando eu teria a oportunidade de vê-los novamente?)
    Enfim, falando de Twister. Naquela época (olha a idosa), eu era louca por qualquer coisa q lançava aqui no Brasil. Internet era luxo da casa da minha tia. Eu era bem fã de KLB, Rouge, Broz e claro, de Twister. Até hoje guardo o 1º e único cd que eu comprei. O Léo sempre foi um fofo, mas eu tinha uma queda pelo Sander (imagina o quão decepcionada eu fique na época q ele foi preso?). Enfim, fui uma fã girl dessas banda tudim daqui!
    ;*

  • Reply Mariana 1 de setembro de 2017 at 21:29

    HAHAHAHAHAHA EU ACOMPANHEI PELO TWITTER TAMBÉM! Que delícia que é realizar um sonho depois de tanto tempo querendo uma coisa. E meu deus, eu tive a minha cota de tietagem na infância/adolescência, mas nunca consegui fazer nada porque eu morava na PQP e nunca tinha show legal por lá. Só o Almir Sater. Ele é gentleman demais! To feliz por ter dado certo pra ti, é tão gostoso quando tudo vai bem! Te contar, esse começo dos anos 2000 foi doido demais porque teve muita música brasileira bombando. Hoje a gente não lembra, mas toca 40 graus pra tu ver se todo mundo não começa a cantar!

  • Reply Luly 2 de setembro de 2017 at 15:23

    Aaaaaaah que delíííícia de post mais liiiindo e maravilhosoooo!!! Seu sorrisão nas fotos, cara! Só de olhar pra isso já valeu!
    Acho que existem ídolos que não importa o passar do tempo, sempre farão um bem danado pro nosso coração… Ainda mais nesse início da adolescência onde a idolatria é em níveis astronomicos e numa época em que a gente tinha que comprar Toda Teen pra saber o que tava rolando… Hoje é só entrar no Stories do cara que tá lá, ele no banheiro, mas “naquela época” haja especulação até sobre namoradinhas hahahaha. Fiquei feliz de verdade que você realizou esse sonho. Realmente, sonhos podem até mudar, mas perder a validade NUNCA!

    PS: Yellow Pubmarine foi o melhor nome de pub do planeta, amei!

  • Reply Patthy 4 de setembro de 2017 at 10:48

    Primeiramente: você me assustou com “Nesse momento a Lívia de 30 anos saiu para tomar um ar e deixou a Lilika de 14 tomando conta da situação”, porque achei que eu estivesse com 31 e passei um ano em coma. =B
    Segundo: assustei quando rolei a página e vi minha ~feice~ ali estampada.
    Sobre as dancinhas constrangedoras, era meio coisa de toda boyband, né? A maioria fazia clipe e se apresentava sem instrumentos, então tem que arrumar o que fazer no palco pra não parecer uma múmia. Mas olha, esse macacão do clipe 40 graus tá me deixando tão constrangida que acho que estou vermelha.
    Eu curtia umas boybands, mais pela “exposição” a elas do que por ser fã mesmo. Quando surgiu The Calling aí eu soube o que era ser fã de fato (e gastava a tinta da impressora de casa imprimindo fotos também RISOS). Aliás, sobre seu comentário acerca de cabeludos: o Léo tem a mesma franjinha do Alex Band – e que eu detestava, mas eu via o homem por trás da franja e fazer o que, né? ¯\_(ツ)_/¯
    Eu quero um VLOG do dia em que você for ver esse muro. Muito tempo te vendo falar nele, quero assistir esse momento, heh.

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