Diário

Life doesn’t make narrative sense (ou: De repente 30)

Hoje encerro mais um ciclo, me torno uma balzaquiana de marca maior. A tia do rolê que já habita em mim há anos pode correr livre por aí porque agora oficialmente fechei minha terceira década de vida: trintei.

De Repente 30 - thirty and flirty and thriving

30, a idade do sucesso (na versão dublada MARAVILHOSA)

No fundo, são só dois dígitos que mudam na minha vida. As roupas que uso são as mesmas (ou no mesmo estilo) das que eu usava há 10 anos atrás. Meu gosto musical é bem menos pop e muito mais rock-folk-mamãe-quero-ser-hippie, mas a essência ainda está aqui. Meu jeito de falar, os seriados que eu vejo, nada teve grande evolução nessa última década. Eu continuo sendo a “menina Lívia” que quando tinha dezoito parecia ter quinze, quando tinha vinte e cinco, parecia ter dezoito e agora que tem trinta não parece ter mais do que vinte-e-poucos. Isso é bom, eu acho.

De Repente 30

Crescer, como isso foi acontecer tão rápido assim?

Meus 29 anos foram muito especiais pra mim. O que não quer dizer, nem de longe, que não tenham sido difíceis. Foi a primeira idade, desde que comecei a trabalhar, vivendo a tal vida adulta, que eu fiquei em casa a maior parte do tempo. Como eu tenho a tendência de ver sempre o copo meio cheio, digo que está sendo uma oportunidade incrível pra me conhecer melhor, para descobrir quem eu sou. Esse fôlego serviu para eu me achar de novo.
Outro dia, depois de reclamar de como eu era quando adolescente, ouvi de uma pessoa muito querida que eu era autêntica. No final das contas, pensando bem, eu era mesmo. E talvez exatamente por isso eu sinta que eu me perdi nesses últimos anos. Não quanto à personalidade ou caráter, mas quanto a objetivos, sonhos e vontades. Talvez.

De Repente 30 - mesa do escritório

…porque se é pra passar o dia sentada atrás de uma mesa, pelo menos que seja com materiais fofos, não?

Esse foi o ano em que eu me lembrei do quanto eu gosto de estudar e do quanto (sem modéstia nenhuma) eu sou boa nisso. Descruzei os braços e, principalmente para não engolir mais sapos, fui com todas as forças atrás de uma vontade que eu nem sabia que eu tinha (acredito que na real eu nem a tivesse de fato, mas no meio do caminho entendi que a gente pode ter desejos que divergem entre si e tá tudo bem não alcançar todos eles).
Entendi que as coisas acontecem quando elas tem que acontecer. E às vezes esse “quando” é igual a “nunca” e, de novo, tá tudo bem. Não era pra ser.

Vivi muito tempo sem nenhum grande objetivo, sem sonhos, aceitando o que acontecia na minha vida sem desejar um algo mais. Agora é minha chance de rever tudo isso, de entender o que eu quero de verdade e mais do que isso: está sendo a chance de eu descobrir (de novo) que não existe idade pra começar de novo (redundância pode ser estilo, já falei sobre isso? :P). E que tudo bem você não saber o que você quer fazer, não importa a sua idade. Começar de novo é bom. Começar de novo mostra força, não fraqueza. Mostra insistência, sabedoria, disposição para tentar fazer um final diferente.

De Repente 30 - You can't just turn back time...

Você não pode voltar no tempo, mas pode sempre começar de novo, que tal?

Como o título desse texto (de uma cena da terceira temporada de Crazy Ex-Girlfriend) diz, a vida não segue necessariamente uma narrativa lógica. Primeiro a apresentação dos personagens, depois o desenvolvimento do conflito principal do protagonista e então sua resolução, com um grande clímax ou um cliffhanger para a próxima cena. Na vida não é assim. A gente tem que resolver sozinho nossos problemas, independentemente se isso vai fazer diminuir a audiência e o show não ser renovado para uma próxima temporada…

Ainda não sei o que desejar para esse novo ano. Queria ter encontrado as listas de “30 antes dos 30” que já fiz nessa vida, mas não encontrei. Sinto que nada do que eu tivesse escrito faria sentido pra Lívia que sou hoje. Mas tenho uma lista de querências (quem não tem?) para a vida toda: quero me aproximar cada vez mais da minha espiritualidade que estava há tanto perdida, quero ser mais simpática com as pessoas (que não tem culpa de eu não gostar de socializar), quero visitar mais as minhas avós, quero ler mais clássicos, ver mais filmes, falar espanhol. Quero ser aquilo que já sou e elevar à décima potência o que tem de bom em mim, tentando corrigir o que não está tão bom assim.

De Repente 30 - mistakes and regrets

Fica a dica 🙂

Não plantei uma árvore, nunca terei um filho e (ainda) não escrevi um livro. Não tenho os peitos da Jennifer Garner, tampouco Mark Ruffalo é apaixonado por mim. Mas já fiz coreografias em festas e já cantei a plenos pulmões junto de meus cantores favoritos.peguei autógrafo de gente que marcou minha infância, já viajei para lugares que jamais pensei que conheceria.

Não sou a maior fã de aniversários (até desativei essa informação no Facebook ano passado), mas eu gosto de receber carinho de quem gosta de mim de verdade (e isso não precisa ser só no dia em que faz mais um ano que vim ao mundo). Prefiro passar o dia todo lendo ou vendo filmes que aquecem meu coração do que ser anfitriã de uma festa de arromba. E meus pouquíssimos amigos sabem disso, entendem, me compreendem, e eu não poderia amá-los mais ainda do que já amo por conta disso.

De Repente 30 - Balões photoshoot

Será que temos uns 30 balões nessa imagem? 😀

Posso não saber de muita coisa nessa vida, mas eu sei que estou exatamente onde eu deveria estar e sou exatamente quem eu deveria ser. Que coisa louca, não?

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2 Comments

  • Reply Daise 20 de novembro de 2017 at 08:05

    O fim do teu post me lembrou uma música do Raul Seixas, em que ele canta assim: “Não sei onde eu tô indo, mas sei que eu tô no meu caminho”.
    Parabéns, guria. E sobre teu texto, ele mostra segurança e tranquilidade com a tua vida, que bom que te sentes assim. Felicidades sempre!
    Um beijo.

  • Reply Luly Lage 6 de dezembro de 2017 at 12:58

    Agora só falta atualizar a idade no perfil do blog!
    Olha, eu entendo bem o que essa pessoa querida quis dizer e tal, mas ainda te acho autêntica. Saber o que queremos da vida, na verdade, a gente NUNCA vai saber, eu acho. O que precisamos é saber o que queremos, apenas, Pode dar certo ou errado, como começar certo e desandar no caminho e até o contrário. Pode durar um mês ou 30 anos… Mas ainda assim vale a pena, e se acabar temos a próxima coisa que queremos.
    Tô atrasada pra desejar Feliz 30 Anos, mas posso desejar Feliz 30 Anos e Alguns Dias. Continue dançando, se emocionando e sim, visite bastante suas avós. Você ainda é autêntica e também é incrível!

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