Literatura

O que eu li em 2017

Ou também: que tal se a gente priorizar o que realmente quer ler?

O hábito da leitura hoje em dia é cool. Existe até uma competição velada para ver que lê mais livros e quem os lê mais rápido. (tem youtuber por aí que lê mais de uma centena de livros por ano, acredite) Quando eu era mais nova, não era bem assim. Levar um livro na bolsa era mostrar ainda mais o quanto eu era antissocial, o quanto eu preferia aquele mundo fantástico ao mundo real, em que eu era a ce-de-éfe da qual todos tiravam sarro porque só tirava notas boas. Que bom que isso mudou!

Posso dizer que cresci cercada de livros e isso influenciou muito na leitora que sou hoje. Eu lia o que estava disponível na prateleira, fossem revistas em quadrinhos, a coleção Vaga-lume ou clássicos da Literatura. Tudo despretensiosamente. Mas em algum momento da minha adolescência eu parei de ler. Não lembro bem quando foi e nem por quê, mas fiquei um período longe das minhas histórias. Li algumas coisas para o vestibular (Vestido de Noiva, por exemplo, QUE LIVRO!) mas só. Minha retomada se deu durante a febre vampiresca na Literatura, eu já estava na faculdade e devorei cada um dos livros de dona Stephenie Meyer, Bella, Edward e companhia.

Inclusive há algo que você precisa saber sobre mim (não que eu seja lá grandes coisas): eu considero todo tipo de Literatura válida. Você dificilmente vai me ver lendo um romance sensual (mas já fui rata de banca de jornal) ou um livro escrito por um youtuber ou um YA sem grandes pretensões, mas eles já estiveram na minha prateleira, sim. Crepúsculo, por exemplo, me despertou a vontade de ler O Morro dos Ventos Uivantes (apenas sensacional) e O Diário de Bridget Jones me despertou para a história da família Bennet e a obra de Jane Austen. Entende o que quero dizer?

Ainda assim, por muito tempo eu fiquei com medo de me aprofundar na leitura. Medo de pegar algum livro denso e não entender a moral da história (afinal, um livro de uma das irmãs Brontë não vem com uma “moral da história” explícita no final como as fábulas de Esopo, né?). Medo da linguagem difícil, medo de gastar tempo demais lendo… Eu preferia me dedicar a ler 4 volumes de Gossip Girl do que pegar um livro curto da Lygia ou da Clarice. E se todo mundo descobrisse que eu era uma farsa? Que na realidade eu só consumia “baixa Literatura”? (não sou a maior fã da Isa, mas achei bastante interessante esse vídeo sobre “alta” e “baixa” literatura)

Mas daí eu entrei na faculdade de Letras e, além disso, comecei a consumir mais vídeos sobre livros. Com isso, a minha TBR (to be read – a ser lido, em tradução livre) foi aumentando cada vez mais e eu percebi que não seria capaz de ler tudo aquilo se não passasse a priorizar minha leitura. Foi unindo essa ideia com vários vídeos incríveis que vi da Jota Pluftz, da própria Tati Feltrin (musa maior) e da Gisele Eberspacher que decidi fazer uma lista dos livros cuja leitura é meu foco principal. Isso não quer dizer que não lerei não clássicos nunca mais (bom, se for ver, “Orgulho e Preconceito” é chicklit e “Mulherzinhas” é YA, não?), mas que se eu estiver em dúvida de qual leitura iniciar, vou dar preferência para a minha lista. 🙂

Lista de clássicos para leitura

É só clicar aqui que você irá acessar a lista em PDF atualizada dos livros que pretendo ler 🙂 Também vou continuar mantendo o registro na página de livros lidos, ok?

Leituras de 2017

Esse foi o ano em que menos li na última década (minha prioridade era ler Código do Processo Civil e Normas da Corregedoria, quem já prestou concurso sabe do que estou falando), mas por mais incrível que possa parecer, foi o ano com as melhores leituras da última década também. Acho que finalmente entendi que quantidade não é sinônimo de qualidade, fica a dica. 😉

Lista de livros lidos em 2017

Bora lá para a listinha?

  1. Não Se Esqueça de Paris, Deborah McKinlay
    ★★☆☆☆
    Bem nhé. Nada demais, mal deu pra suspirar pelos protagonistas, coisa e tal e nem lembro mais direito sobre o que era. Não me empolgou.
  2. A Idade Decisiva, Meg Jay
    ★★★☆☆
    livro de não ficção bem interessante que li em conjunto com a Ju, minha psicóloga favorita (e melhor amiga, diga-se de passagem). recomendo pra quem tem seus 20 a 30 anos e tá meio perdido na vida.
  3. O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë 
    ★★★★★
    Apenas incrível. Demorei meses para ler, mas foi um tempo extremamente bem investido. Eu não consigo explicar muito bem o enredo, porque não é necessariamente uma história de amor. É uma história de posse, de orgulho e de querer ser sempre o melhor, no matter what. Pra aliviar o clima, ouçam a palavra da Kate Bush 😀
    Pouco depois de eu ter lido, a Tati Feltrin fez um vídeo INCRÍVEL de mais de meia hora sobre a obra, recomendo demais!
  4. O Irresistível Café de Cupcakes, Mary Simses
    ★★★☆☆
    Até achei bem bonitinho, gostosinho de ler, mas não mudou a minha vida. Next!
  5. Amor À Segunda Vista, Mhairi McFarlane
    ★★★☆☆
    Eu gosto muito da Mhairi. Já havia lido uma obra dela em 2016 e não posso dizer que não tenha gostado desse, mas é aquela fórmula bem manjada de chicklits. No final das contas, foi bom para passar o tempo e só.
  6. Um, Dois e Já, Inês Bortagaray
    ★★☆☆☆
    Confesso: escolhi ler esse livro só porque era curto, mas não sei se entendi a escrita da autora. É a narrativa da viagem de carro que uma família faz para chegar ao litoral do Uruguai. Até é bacana, mas não me conectei.
  7. Surpreendente!, Mauricio Gomyde 
    ★★★★☆
    Aí fica a dúvida é possível não dar nota máxima para um livro e ainda assim ele entrar no hall dos favoritos? É, sim! Eu nunca tinha lido nada do Gomyde e, cara, não me decepcionei. A história é sensacional, me identifiquei demais por motivos de: não enxergo quase nada (mesmo, inclusive minha visão está ainda pior, preciso escrever um novo post) e morro de medo de ficar cega de vez e não ter visto tudo na vida que sempre quis ver. É uma leitura super rápida, recomendo ler sem maiores spoilers e se deixar ser envolvido.
  8. Bonsai, Alejandro Zambra
    ★★☆☆☆
    Nhé, aparentemente o Zambra não é pra mim, não. Novamente, tal qual o livro da Bortagaray, não me conectei e não sei se entendi a história… Não pretendo ler mais nada dele, não.
  9. Dom Casmurro, Machado de Assis 
    Melhor livro que li na vida, apenas. Eu jurava que seria todo sobre a traição e tal, mas o enredo é tão mais do que isso! Já quero ler novamente para ter novas interpretações e entender melhor os detalhes. Inclusive recomendo (mais uma vez) esse maravilhoso vídeo da Tati para quem quer se aprofundar mais.
  10. Agarre Seu Sonho, Debbie e Fê (Pequenos Monstros)
    ★★★★☆
    Sabe quando a gente se sente meio estagnado, sem saber para onde ir, mas tem uma leve ideia do que quer para a vida? O livro do Pequenos Monstros pode ajudar demais nesse ponto! É praticamente um guia de como sair do lugar e eu recomendo demais a leitura 🙂
  11. Carta Ao Pai, Franz Kafka
    ★★★★☆
    A identificação foi tanta que doeu demais e não me permitiu gostar ainda mais da obra. Leiam só se não estiverem muito deprês e se não se importarem de sofrer com Kafka diante da relação dele com o pai, ok?
  12. O Clube do Livro do Fim da Vida, Will Schwalbe
    ★★★☆☆
    Comecei a ler despretensiosamente, mas gostei bastante! Mãe e filho vão sustentando sua relação através de um clube do livro com encontros tanto na sala de estar quanto nas poltronas de quimioterapia. Triste e bonito, vale a leitura.
  13. Seu Moço, Patricia Pirota
    ★★★★☆
    Primeiro que a “Patricia Pirota com P” é inspiração para muita coisa pra mim. Segundo que é um livro que aquece o coração, por mais gelado que ele esteja <3 recomendo!
  14. Diário de Um Magro, Mario Prata
    ★☆☆☆☆
    Eu gosto do Mario e do filho dele também, mas esse livro foi tão gordofóbico e chato que não serviu nem pra me fazer rir.
  15. Milagres, Rodrigo Alvarez 
    ★★★★☆
    Li por indicação da minha mãe e não tem como não dizer que deu aquele calorzinho gostoso na alma <3 emocionante!
  16. A Máquina de Contar Histórias, Mauricio Gomyde
    ★★★☆☆
    Não gostei tanto quanto de Surpreendente!, mas é inegável que o Gomyde escreve bem demais e prende muito a gente. E, né, adoro histórias que falam sobre livros, é inegável o quanto isso me atrai. Super curtinho, vale a pena.
  17. O Primo Basílio, Eça de Queiroz 
    ★★★★★
    Incrível! Eu morria de medo do Eça e de outros contemporâneos, quase como se eles pudessem sair das páginas dos livros e me jogar na cara que eu não sou suficientemente inteligente para entender sua linguagem, mas passou, viu? Eu adorei o enredo e os personagens (Basílio, você não vale nada mas eu gosto de você!), a única coisa que poderia ser melhor é o tamanho dos capítulos. Gosto de capítulos curtos, sabe? Para não perder a atenção (como em Dom Casmurro). Mas, ó, de longe um dos melhores livros que li na vida também! Agora quero ler Madame Bovary do Flaubert, que serviu de ~inspiração~ para o Eça.

Se for para eleger meu top 3 de 2017, ficaria assim:

  1. Dom Casmurro
  2. O Morro dos Ventos Uivantes
  3. O Primo Basílio

E quais os seus livros preferidos do ano passado?

Uma dicona: dado o fato de que, né, estamos sem dinheiro, o que tem me ajudado muito a ter as obras que quero é o sistema de troca de livros no Skoob, vocês conhecem? Acabo sempre achando obras muito bacanas por lá, além de conseguir dar um destino digno para os livros que estão encalhados na minha prateleira. Sempre posto no Instagram quando chega alguma troca em casa. Se alguém tiver dúvida de como funciona, eu posso explicar sem problemas!

Aliás, uma dúvida: como vocês decidem o que vão ler? Através de uma vontade momentânea ou de listas? Funciona bem? Me conta que gosto demais desse assunto!

Um beijo!

P.S.¹: eu realmente gosto de subtítulos para os meus posts 🙂

P.S.²: a página de leituras já está atualizada com o que já li em 2018 😉

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3 Comments

  • Reply Maíra 13 de março de 2018 at 17:16

    aiii é exatamente isso que quero fazer esse ano! ahhahahhaa
    eu também adorava ler quadrinhos ahhahhaha principalmente turma da mônica 😀

    Eu tenho esse medo da linguagem difícil!
    Uma perguntaa: como você consegue ler dois livros ao mesmo tempo?, tipo eu consigo assistir série, mas livro eu nunca consegui (fui ver o pdf) ahahahaha
    Nossa, eu tava por um triz para comprar esse agarre seu sonho! acho que agora depois de você indicando, provavelmente vou pensar no assunto ahahaahaha
    Eu geralmente decido por vontade mesmo, eu tinha muitos livros, mas acabei doando tudo, eu confesso que eu tinha um amor maior pela leitura e foi acabando com o tempo, mas ainda gosto da leitura, e quero ter mais vontade de ler livros mais sérios, e não só de ficção, romance e etc.

    ps: gosto do subtitulo no post ahahahhaa
    beijos 🙂

  • Reply Fernanda N 14 de abril de 2018 at 13:43

    Oie Lívia! 🙂
    Ano passado, pela primeira vez, eu estipulei a meta de ler 30 livros durante o ano — e cheguei muitíssimo perto. Acabei voltando aos filmes e seriados lá em meados de novembro e ficou faltando 2 livros para fechar a minha meta. Mesmo assim, terminei o ano feliz, porque nunca tinha lido tantos livros em um ano… Nem perto disso. Os meus favoritos do ano foram: “It Ends With Us”, da Colleen Hoover; “Roomies”, da Christina Lauren; “I’ve Got Your Number”, da minha musa Sophie Kinsella; e “Um Mais Um”, da Jojo Moyes. Eu costumo ler muita literatura feminina (chick lit) e YA, porque opto por ler livros leves, românticos e com uma pegada de humor, como uma terapia de distração e para aquecer o coração. Mas, ultimamente, tenho tentado abrir um pouco os meus horizontes para livros mais genéricos de literatura… Quero ler alguns clássicos também, como “O Morro dos Ventos Uivantes”, que você citou na sua lista. Ano passado li “Orgulho e Preconceito” e “O Apanhador no Campo de Centeio” e gostei de ambos. Estou dedicada a assistir filmes nos últimos meses e meio que parei com os livros… Quero ver se volto assim que o semestre da faculdade terminar (no final do de abril). Anotei alguns títulos da sua lista para ler — estou bem curiosa para ler os livros do Gomyde, mas estando no Canadá, acho que fica meio complicado conseguir as edições em português. Quando eu voltar ao Brasil para visitar, precisar dar uma passada em alguma livraria antes. Hahaha! Beijocas e bom finde, Li! <3

  • Reply Luly Lage 14 de abril de 2018 at 15:56

    Acho Dom Casmurro a maior obra de língua portuguesa que já li na vida… Se estudasse psicologia ia passar a vida escrevendo sobre Bentinho e suas loucuras e neuroses e etc… Genial demais!

    Eu concordo muito com você que toda leitura é válida, mas também acho perigoso o efeito que uma história pode causar no seu público alvo. Essa é a minha crítica com a saga Crepúsculo… Não é vampiro que brilha, não é romance, não é nada disso, e sim a romantização da relação abusiva obsessiva e da entrega sem limites. A gente leu quando adulta, mas se parar pra pensar que parte do público alvo era juvenil… Sei lá, acho meio sério!
    Mas enfim, isso não me faz achar os piores livros do mundo também, tanto que li os quatro ahahaha!

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