Browsing Category

Vegetarianismo

Diário, Vegetarianismo

Primeira Limeira Veg

No último sábado, dia 30, completei 5 meses sem comer carne. É pouquíssimo tempo se eu comparar com a vida toda que passei consumindo esse tipo de alimentação, mas é um começo.
Por coincidência no dia seguinte aconteceu a Limeira Veg, primeira versão de uma feira vegana lá na terrinha do meu namorado. Parte da arrecadação do evento (10% de cada barraca) foi revertida para a ALPA, uma ONG que admiro muito. Claro que eu não poderia deixar de ir, né? Limeira é uma cidade do interior, a cerca de 150km da capital, pertinho de Piracicaba. Extremamente quente no verão, mas incrivelmente acolhedora. Não tenho como negar o quanto gosto de lá <3

É importante frisar aqui que sou ovo-lacto-vegetariana, ou seja: não como carne, mas ainda consumo ovos, leite e derivados. O vegetariano estrito não come carne, nem consome ovos, leite e derivados. E o vegano não consome nenhum produto proveniente de animal, sendo alimentação, vestuário, cosméticos… é uma escolha de vida, não só alimentar. Aqui tem um texto ótimo explicando os diferentes tipos de vegetarianismo.

Segundo informações no site da Prefeitura de Limeira, cerca de 8 mil pessoas passaram por lá (mesmo naquele calor dos infernos rs). Eu nunca tinha tido oportunidade de visitar algum evento deste tipo e fiquei encantada. Daniel e eu até comentamos da vibe das pessoas que passaram por lá: uma coisa despreocupada, meio hippie, bicho-grilo, entende? E um público de todas as idades. Tinham idosos e muuuuitos jovens. Sempre que paro e penso em consumo consciente entendo que a nossa geração, dos vinte e poucos (ou vinte e tantos) anos é que tem a maior noção disso, o futuro está em nós, sabe? Enfim, just thoughts.

Na feira tinham 22 estandes com vários tipos de produtos: alimentos prontos e congelados, vegetais orgânicos, cosméticos veganos, sucos prensados a frio e uma infinidade de outras opções. Os preços eram bem ok pra quem já está acostumado a consumir itens saudáveis/orgânicos (ou seja: mais caros do que o de produtos normais, mas acessíveis). Paguei R$6 em um copo de chopp e R$15 em um pote de geléia de uva orgânica.
Também havia um palco onde rolaram algumas palestras, além de uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Limeira e várias oficinas (queria muito ter participado da de yoga, mimimi).

Limeira Veg - Área de picnic da ALPA

Área de picnic da ALPA – queria levar a bike pra casa <3

Quanto à organização, como a feira aconteceu no jardim do prédio da Prefeitura, o Edifício Prada, senti falta de sombra porque o calor limeirense não dá trela. E também de placas maiores indicando qual barraca era o quê, folhetos explicativos, coisas assim. Ah! Também fiquei chateada que quando cheguei já não tinha mais cupcakes e outros docinhos veganos que eu queria experimentar (mas terei outras chances, com certeza! e nesse ponto a culpa foi minha por ter ido “tarde”). De qualquer forma, foi um ótimo pontapé inicial, eu não poderia imaginar a Limeira Veg sendo melhor.

 

Um evento desses é importante não só pra divulgar os empreendedores que investem nesse tipo de negócio como também é a oportunidade para quem nunca teve contato com o vegetarianismo e o veganismo entender que uma alimentação que não tem a proteína animal como base pode ser incrivelmente gostosa, com sabores que meu paladar carnívoro jamais iria conhecer.  Além, é claro, de mostrar que nós não vivemos só de água e alface 🙂  Mas sua maior relevância é a de gerar uma consciência de que é totalmente possível seguir esse estilo de vida que já existe há muito tempo e que está ao alcance de qualquer um quebrar o paradigma de que precisamos de carne para viver.

Espero de coração que tenhamos uma segunda edição. Não sou nascida em Limeira, mas fiquei orgulhosa por aqueles que são. Um super parabéns a todos os envolvidos na Limeira Veg, eu não esperava de forma alguma ver tanta gente por lá como vi. No que depender de mim, quero cada vez mais prestigiar esses eventos e entender um pouco mais sobre esse estilo de vida vegano para quem sabe um dia não muito distante, segui-lo (e, claro: poder contar o processo todinho por aqui).

Limeira Veg - Bonito o pátio da Prefeitura, né?

Bonito o pátio da Prefeitura, né? Olha só o pessoal tentando se esconder do sol…

Agora quero saber: tem feiras desse tipo – alimentos saudáveis, orgânicos ou veganos – na cidade de vocês? Me contem tudo pra que eu conheça um pouquinho melhor e quem sabe possa prestigiar mais de perto 😉

Um beijo!

Durante minhas pesquisas para escrever este post, cheguei ao relato da Alice sobre este evento (cheio de fotos), vale a pena dar uma conferida também 🙂

Diário, Vegetarianismo

Mas nem peixe? (ou como me tornei ovo-lacto-vegetariana)

No último dia 29 de setembro, completou um mês que parei oficialmente de comer carne.

Não pare agora de ler meu post achando que vou tentar fazer você tomar a mesma decisão, nem vou ser uma ecochata. Não tô aqui pra falar de amor aos animais e nem sobre os porquinhos do Rodoanel. Só vou compartilhar um pouquinho de como tá sendo pra mim, ok?

Apesar de eu nunca ter sido fã de carne vermelha, sempre curti muito frango (coxinha!) e peixe (comida japonesa <3). Não foi algo que aconteceu de uma hora pra outra, muito pelo contrário. Acredito, sim, que tudo tenha começado quando conheci o Dan e ele me contou que é vegetariano há 10 anos. Convivendo com ele há um ano já, eu pude vivenciar um pouco mais da rotina alimentar dele e ver que, não, ele não come só salada =P

Mesmo tendo influência, sim, minha decisão não é mérito 100% dele.

Vamos à minha historinha?

Tudo começou na véspera do Natal do ano passado. Acordei me sentindo meio febril e não parava de ir ao banheiro. Depois do almoço, o Daniel veio de Limeira e eu mal conseguia dar atenção pra ele, dormi sentada no sofá da sala tamanha a febre. Enrolei o máximo que pude, mas chegou uma hora em que cedi e deixei o Dan me levar pro hospital. Lá, depois de alguns exames e de ter sido reidratrada, recebi a notícia de que estava com uma infecção gastrointestinal bastante grave e teria que ficar internada (sei que tem muita gente que nem liga, mas eu adoro o Natal. Adoro ajudar minha mãe na ceia e receber minha avó em casa). Imaginem que meu namorado mal conhecia meus pais, era nosso primeiro final de ano juntos, ele mal conhecia minha cidade e teve que voltar pra minha casa sozinho, explicar pra minha família o que estava acontecendo comigo. Obrigada por não ter desistido de mim, Dan <3 AHAHAH
Enfim, o resumo disso tudo é que passei minha noite de Natal internada e sozinha, por culpa de um maldito salame estragado.

Minha ceia de Natal (juro)

Minha ceia de Natal (juro)

Desde então decidi que não ia comer mais embutidos. Sim, eu sei que “dei azar” quanto ao salame, mas cismei. Não podia mais nem sentir o cheiro. Nada de salame, presunto, salsicha, linguiça e até meu amado peito de peru. No início achei que faria falta mas – surpresa – não me fez falta alguma.

Aos poucos fui deixando de lado a carne vermelha (afinal, eu nunca gostei mesmo!) mas continuava firme e forte com a carne branca. Até que um dia surgiu um papo que se resume à imagem abaixo:

Se os nuggets realmente são feitos de pintinhos vivos eu não sei, mas não quero pagar pra ver, não.

Se os nuggets realmente são feitos de pintinhos vivos eu não sei, mas não quero pagar pra ver, não.

E foi aí que amadureci a ideia e decidi para de vez com a carne. Tenho ainda alguns pontos pra esclarecer comigo mesma (por exemplo: vou ou não vou parar com ovos, leite e derivados?) mas vamos com calma.
O mais bacana é que a Kátia também decidiu ter uma dieta ovo-lacto-vegetariana, exatamente no mesmo dia que eu. É legal porque vamos trocando experiências e receitas. Aliás, ela também postou sobre isso recentemente. E hoje li uma indicação de livro bastante interessante da Leticia, que também não come carne.

A parte mais difícil de não comer carne: perguntas engraçadinhas

A parte mais difícil de não comer carne: perguntas engraçadinhas

  • “Se você não come carne ninguém na mesa pode comer?” Não, eu não espero que você não coma uma picanha na minha frente só por eu não aprovar.
  • “Mas você come o feijão se foi temperado com bacon?” Sim, eu tiro o que não quero e pronto. No começo eu pegava até a cebola do bife (hoje tenho nojo) e sim, pode pedir pizza com presunto que o tiro do meu pedaço, sem problemas (por enquanto).
  • “Ahhh, mas e a sua saúde?” Eu já fiz exames e sei que está tudo ok comigo (menos a tireóide e por isso mesmo já marquei consulta com um endocrinologista)
  • “Hum, você sabe que as granjas podem ser cruéis com as galinhas, né?” Então, talvez eu deixe de consumir derivados de leite e ovos, mas por enquanto ainda estou me adaptando a essa vida sem carne
  • “E os testes em animais?” Pois é… estou pesquisando sobre cosméticos cruelty free e tentando raciocinar melhor sobre o que fazer diante disso.

Outro lado bacana disso todo é que estou mais aberta a experimentar sabores. Hoje em dia adoro vagem e antes nem podia me imaginar comendo. Tenho comido bastante grão de bico e tô doida pra testar essa receita de falafel (é tipo um nugget). Já tinha aprendido a gostar de verduras e legumes, então não foi tão difícil por conta disso. Uma página legal que sempre me inspira nas receitas é a Revista Vegetarianos. Tem umas fotos extremamente apetitosas!
É óbvio que preciso me inteirar muito ainda no assunto e aprender mais sobre o que está por trás disso mas essa é uma decisão da qual não me arrependo, viu?
Se tiverem alguma dúvida sobre o assunto, essa é a hora 🙂 assim eu aprendo e trago a informação também.

(e um obrigada gigante ao Dan por, de uma forma ou de outra, ter me apresentado essa nova forma de vida)