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Life doesn’t make narrative sense (ou: De repente 30)

Hoje encerro mais um ciclo, me torno uma balzaquiana de marca maior. A tia do rolê que já habita em mim há anos pode correr livre por aí porque agora oficialmente fechei minha terceira década de vida: trintei.

De Repente 30 - thirty and flirty and thriving

30, a idade do sucesso (na versão dublada MARAVILHOSA)

No fundo, são só dois dígitos que mudam na minha vida. As roupas que uso são as mesmas (ou no mesmo estilo) das que eu usava há 10 anos atrás. Meu gosto musical é bem menos pop e muito mais rock-folk-mamãe-quero-ser-hippie, mas a essência ainda está aqui. Meu jeito de falar, os seriados que eu vejo, nada teve grande evolução nessa última década. Eu continuo sendo a “menina Lívia” que quando tinha dezoito parecia ter quinze, quando tinha vinte e cinco, parecia ter dezoito e agora que tem trinta não parece ter mais do que vinte-e-poucos. Isso é bom, eu acho.

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Flawless victory (ou “o medo de não ser perfeita”)

“Mas se a gente não começar sem saber nada, a gente nunca vai ficar boa”. Essa frase foi proferida pela Ju, em meio a uma das nossas caminhadas pelo parque, quando estávamos falando sobre meu medo de tentar uma aula nova na academia. Foi aí que confessei pra ela de um pavor que me acompanha: o de não ser a melhor em tudo que faço. Talvez você também sinta isso.

Essa barreira já me impediu de publicar diversos posts por não estarem perfeitos, também me fez gastar horas e horas “perfumando” um gráfico pra uma reunião gerencial e, principalmente, já me fez perder várias oportunidades por não me achar boa o suficiente pra fazer ou lidar com aquilo.

Mas vem cá que te conto essa história bem do começo…

A primeira vez que lidei conscientemente com o medo de não ser a melhor foi quando aos 13 anos eu saí de uma escola pública e fui matriculada em uma escola particular. Meu mundo caiu quando eu percebi que teria muitas dificuldades a mais do que meus colegas de turma porque não tinha tido uma base decente. O jeito foi correr atrás do prejuízo. Em poucos meses eu já tinha me adaptado e era uma das melhores da classe. Olhando pra trás, hoje eu entendo que eu queria ser notada/aparecer/ter destaque por algo que não fosse minha aparência física. Eu sempre achei que se todos me chamassem de CDF, ninguém iria reparar que eu era gorda, sabe?

Enfim… me tornei aquele tipo de aluno que vai discutir com a professora se tirava 9,8. Eu não conseguia enxergar que era quase 10, só conseguia enxergar que não era 10. E isso era um porre porque eu nunca era suficiente pra mim mesma. Comecei a me cobrar demais, aquilo subiu à minha cabeça.
Se eu entrasse em um concurso de poesia, eu iria ganhar, porque eu me dedicava de corpo e alma praquilo, eu não suportava não ser a melhor. E isso é uma merda! Tanto pra nós mesmos que nos cobramos demais se não formos suficientemente bons quanto pros nossos amigos porque a vida não é uma competição o tempo todo (ou ao menos não deve ser, né?).

Foi assim com o jazz, ainda na infância. Adorava dançar, por diversão, mesmo errando boa parte dos passos e não conseguindo fazer abertura. Mas quando surgiu a tal da apresentação no final do ano, pedi pros meus pais me tirarem. Meu pavor de não ser perfeita, de ser apontada como a ruinzinha da turma no palco de um teatro me fez deixar de lado algo que me fazia bem demais.
Talvez por isso nunca tenha participado de muitas atividades extracurriculares: se eu já soubesse que eu tinha limites pra fazer aquilo, eu preferia ficar de fora a falhar. O que é ridículo porque como a Ju falou, se eu nunca tentar eu nunca vou saber se sou boa o suficiente e nem  vou conseguir aprimorar o que eu por ventura já saiba.

Medo do fracasso. Sempre foi esse o meu mal.

Só que existem situações que fogem ao nosso controle. O tempo passou e apesar do meu boletim perfeito, não fui aprovada nos vestibulares que prestei. Ao invés de correr atrás do prejuízo, fiquei sofrendo de autopiedade (stop coitadismo, gente) e só fiz faculdade pública porque por acaso fui aprovada no ano seguinte. E foi na faculdade que eu passei sem querer e fazendo um curso que eu nunca me imaginei fazendo que eu descobri algumas coisas importantíssimas e vou levar pra vida toda:

  • Não importa o quão foda você é, você tem que abaixar a bola. Ser o melhor em algo não é o que vai te fazer ter ou não sucesso na vida. Seu esforço e sua vontade de correr atrás é que vão. Às vezes família rica e nascer com a bunda virada pra lua também.
  • Se você se acha o melhor naquilo que faz, é porque você não conhece gente o suficiente. Aumente sua amostragem: tem tanta gente nesse mundão que sempre vai ter pelo menos uma pessoa melhor do que você (spoiler alert: geralmente são várias, muitas mesmo) e você sempre terá muito a aprender com ela se for humilde o suficiente pra reconhecer que não é o rei da cocada preta. Nem branca.

Não há nada de errado em querer ser incrível mas talvez o que eu deva fazer é mudar a perspectiva. Perceber que no final das contas o que importa pra mim não é ser a melhor do mundo, mas sim dar ao mundo o melhor que eu possa ser. E aí não haverá medo de fracasso algum pra me impedir.

Fique calmo e seja o melhor que você pode ser :)

Fique calmo e seja o melhor que você pode ser 🙂

E, apesar de não parecer, esse não é um texto de autodepreciação. Mas de autoconhecimento. Descobri que pra encontrar o meu lugar no mundo, antes eu preciso conhecer quem eu sou e reconhecer meus pontos fortes e fracos é uma parte essencial desse processo. Aos pouquinhos vou compartilhando com vocês o que estou descobrindo, tá bem?

P.S.: Não manja dessa coisa de cultura pop? O título vem daqui XD